Por seis meses vivi no Brasil, foi num período que me marcou; a eleição do Bolsonaro pai, a derrotada era a Dilma Rousseff. As eleições fraturantes que deixaram marcas num Brasil cada vez mais dividido ao meio, não sei se naquela época o Bolsonarismo estava na “mão de cima” surfando o estrago político que a lava-jato tinha feito, mas estava bastante popular—a campanha de Bolsonaro foi bem medíocre, nem isso o impediu de ganhar quase na primeira volta.
As propostas do Bolsonarismo? Confronto permanente com os outros poderes, instituições democráticas e medias. O PT e a esquerda? O PT e a esquerda estavam num momento particularmente difícil. Parte do partido estava a contas com as acusações da lava-jato, Lula estava preso e impedido de concorrer. Não havia mais ninguém? Havia, um tal de Ciro Gomes, tinha pouca habilidade para negociação política e costurar acordos, muitos chamavam e clamavam por essa terceira via—que não aconteceu.
O Bolsonarismo é uma coisa estranha, contudo interessante e bem cimentada na sociedade brasileira. Sociedade onde o Estado muitas vezes falha no básico; saúde, segurança pública, educação e às vezes integração social e económica das franjas marginalizadas da sociedade. A Direita ou centro-Direita que era mais intelectual, representada pelo PSDB (Principalmente o PSDB-São Paulo), era o chamado “partido-jardim América”, esta direita sucumbiu perante um movimento quase reacionário de instintos primitivos, que era o bolsonarismo.
Porquê? Prometia resultados rápidos e tinha um “buzz” perante uma população desiludida com o PT. E as igrejas neopentecostais e evangélicas? A prosperidade pela vida da abençoada, o culto ao privado e o desdém ao público eram um dos sustentos do movimento bolsonarista, quem colocava combustível nessa engrenagem eram as igrejas pentecostais e evangélicas com os seus pastores/empresários cada vez mais popstars e gurus da prosperidade.
Bolsonaro filho? Não é tão diferente do pai, é menos barulhento, de facto, mas é a linha do pai, alias, herda o espólio político do pai. Uma relação no mínimo curiosa com a política cada vez mais agressiva dos EUA na região, com isso podemos ter um Brasil muito próximo da Argentina e EUA, o significado disso pode ser o esvaziamento do Mercosul. Joga-se muito nestas eleições, no Brasil.
Texto: Nildo João – Engenheiro Electrotécnico e de Telecomunicações
(Foto DR)



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