O Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se na terça-feira, em Nova Iorque, com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, numa altura em que Moçambique se apresenta à mesa das negociações com a situação sem precedentes de não ter qualquer dívida pendente para com essa instituição financeira internacional.
A reunião teve lugar poucos dias após a conclusão de uma missão técnica do FMI em Maputo, que colaborou com as autoridades moçambicanas para lançar as bases de um novo programa de financiamento.
De acordo com a AIM, o encontro entre Chapo e Georgieva realizou-se à margem da abertura do Debate Geral da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. As discussões centraram-se no reforço da situação orçamental, na política monetária e na continuação das reformas económicas, numa altura em que o país procura avançar para um novo acordo financeiro com o Fundo.
Em Março passado, o Estado moçambicano liquidou na totalidade as suas obrigações financeiras para com o fundo antes do prazo previsto, efetuando um pagamento de aproximadamente 701,4 milhões de dólares americanos, correspondentes a 514,04 milhões de Direitos Especiais de Saque (DES). Em resultado desta operação, o saldo de crédito pendente de Moçambique junto do FMI baixou para zero.
A reunião em Nova Iorque surge na sequência de uma missão do FMI a Moçambique, liderada por Pablo López-Murphy e realizada de 9 a 18 de Setembro, com o objectivo de aprofundar as discussões técnicas sobre um potencial novo programa de apoio financeiro.
Em declarações aos jornalistas após a reunião, Kristalina Georgieva descreveu as conversações como positivas e afirmou que o FMI tenciona estabelecer uma parceria com Moçambique para reforçar os fundamentos económicos e criar condições para o crescimento e a prosperidade. No entanto, reconheceu que o País enfrenta um contexto económico particularmente desafiante, marcado pelo impacto das inundações e pelas pressões externas.
“Neste contexto, discutimos como reforçar a situação orçamental de Moçambique, como assentar a política monetária em bases sólidas e como Moçambique pode levar a cabo reformas de forma a ter em conta as pessoas vulneráveis da sociedade”, explicou Georgieva.
A directora-geral do FMI manifestou também optimismo quanto à implementação de um programa capaz de reforçar os fundamentos macroeconómicos do País e de o colocar no caminho da prosperidade.
Durante a mesma visita a Nova Iorque, Chapo reuniu-se igualmente com o director-geral da Corporação Financeira Internacional (IFC), Makhtar Diop, para debater oportunidades de mobilização de investimento e financiamento para o desenvolvimento do sector privado e para projectos estratégicos em Moçambique.
As discussões com a IFC centraram-se em sectores como a agricultura e o agro-negócio, a energia, as infra-estruturas, a economia digital, a inclusão financeira e as energias renováveis. Diop manifestou a disponibilidade da IFC para continuar a trabalhar com Moçambique na mobilização de capital e na identificação de oportunidades de investimento em áreas estratégicas da economia nacional.
(Foto DR)



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