Mondlane atribui legalização da ANAMOLA à pressão financeira internacional sobre o Governo

Mondlane atribui legalização da ANAMOLA à pressão financeira internacional sobre o Governo

Venâncio Mondlane afirma que a pressão dos parceiros internacionais, com destaque para a Alemanha, terá levado o Governo moçambicano a aceitar a sua participação no Conselho de Estado e a legalizar o partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA).

Segundo o jornal Evidências, que publicou as declarações do líder político, Mondlane sustenta que a abertura do Executivo não resultou de uma mudança espontânea de posição, mas da influência financeira e diplomática dos parceiros de cooperação de Moçambique.

A declaração foi feita durante uma mesa-redonda sobre Justiça Eleitoral, realizada em Angola, onde Mondlane explicou que decidiu recorrer directamente aos parceiros internacionais para denunciar o que considera ser a resistência do Governo à sua participação nos órgãos de consulta do Estado e ao registo da sua formação política.

O político destacou o papel da União Europeia no financiamento do Diálogo Nacional Inclusivo e afirmou que a contribuição alemã representa uma parte significativa do apoio europeu. Na sua versão, esse relacionamento financeiro terá sido determinante para pressionar as autoridades moçambicanas a aceitar as exigências apresentadas.

Mondlane relatou ainda que procurou estabelecer contactos com as autoridades alemãs para expor a sua interpretação dos acontecimentos e pedir a intervenção dos parceiros internacionais no processo de legalização da ANAMOLA.

O líder político afirmou que, após os contactos, os parceiros internacionais terão exigido ao Governo moçambicano que permitisse a sua tomada de posse como conselheiro de Estado e aprovasse a formação do partido.

A legalização da ANAMOLA, segundo Mondlane, enfrentou inicialmente obstáculos administrativos. A formação política tentou registar-se sob a designação ANAMALALA, mas o pedido foi rejeitado pelo Ministério da Justiça. Posteriormente, adoptou o nome ANAMOLA, cuja legalização foi formalmente aprovada em Agosto de 2025.

Mondlane considera que a aprovação do partido e a sua entrada no Conselho de Estado devem ser entendidas à luz da pressão externa que, na sua perspectiva, terá condicionado a posição do Executivo.

As declarações colocam no centro do debate a relação entre o financiamento externo, a cooperação internacional e as decisões políticas internas. Contudo, a alegada ligação directa entre a pressão financeira alemã e as decisões do Governo moçambicano carece de confirmação documental independente, não sendo apresentada como facto comprovado.

Imagem: DR

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