Dois conselhos para o Conselho de Ministros

Dois conselhos para o Conselho de Ministros

Meus amigos, querendo ser breve, deixo aqui dois pontos de reflexão ou conselhos para a nova estrutura da nata executiva, o Conselho de Ministros. O primeiro tem a ver com a agenda da reunião e a relação com os mídia. A seguir é a relação entre o povo e o executivo por via dos mídia.

O que se debate no Conselho de Ministro é segredo dos deuses até à realização do habitual briefing semanal. Mas por que isto é assim eu não sei, mas desconfio de poder se tratar de uma estratégia para ‘limitar’ interpelações dos órgãos de informação. Veja-se que, um jornalista que vai a uma conferência de imprensa quando não está preparado para o tema de apresentação não tem muitas hipóteses de fazer questões de fundo. Isto se passa nos briefings do Executivo, e, muitas vezes, tais questões surgem quando já não é oportuno questionar…. Já é novo dia. E isto nos leva ao segundo ponto.

Vivendo a vida nas ruas, debaixo do sol escaldante, ou afundados nas estradas em dias de chuva, ou lamentando a pobreza embutidos em suits porque assim o protocolo do “boss” exige, os moçambicanos fazem as questões de fundo. Essas questões chegam aos jornalistas, mas como a piada que só chegou aos ouvidos da girafa depois de todos os animais txotis se terem rasgado nas gargalhadas a tempo e horas. Com isso, essas questões de fundo são lançadas para os comentadores, mas, na verdade, as respostas não são sua competência – aliás, só serão comentários e opiniões.

Com um pingo de ousadia a correr-lhe nas veias, o jornalista até leva as questões que, de facto, devem ser feitas ao Governo. Mas, como muitos não devem saber, os jornalistas são “solicitados” para, nas suas abordagens, se cingirem aos assuntos apresentados pelo porta-voz do Executivo.

Com isso tudo, como pode o jornalista usufruir do seu Quociente de Inteligência para colocar as questões de fundo quando foi surpreendido por uma agenda desconhecida?

Tudo bem que o jornalista deve estar preparado para questionar o entrevistado com questões do momento, mas esta teoria é valida quando os temas de discussão são do conhecimento de ambas partes. Pensa comigo: por que razões quando são solicitadas entrevistas os entrevistados pedem os tópicos das entrevistas aos jornalistas? Há casos em que se pedem até as questões.

Será que os Ministros se reúnem em Conselho sem agenda?

Nos governos áureos, dizia um veterano: ao entrar na sala de imprensa, o porta-voz do Governo primeiro actualizava aos jornalistas sobre os tópicos debatidos pelos ministros, e, mais tarde, cerca de 20 minutos, realizava a conferência de imprensa. Isto era, justamente, para permitir aos jornalistas algum tempo de reflexão sobre o que poderiam ouvir, e colocar questões minimamente preparadas, e não improvisadas como ocorre nos briefings dos últimos governos.

Em situações onde surgiam questões inesperadas, o Executivo as tomava ou assumia com Trabalho Para Casa (TPC). No briefing seguinte, lá estava o tema surpresa a ser tratado. E assim país “progredia”.

Nestes governos recentes, as informações do Executivo são mesmo “surpreendentes”, e, em contrapartida, o jornalista replica a postura. É um completo e autêntico desencontro de agendas…. 

Vestir fato, sapato e gravata é elegante, mas as medidas da vestimenta podem se ajustar e causar desconforto perante questões marginais à agenda. E nem é vandalismo, manifestação ou protesto, são surpresas!

… talvez os órgãos de informação tenham de contratar curandeiros para evitar surpresa nos briefings…

Autor: (Emmanuel Mocinha)

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