O Estado Islâmico de Moçambique (ISM) tem vindo a atacar cada vez mais civis nos distritos de Mocimboa da Praia, Muidumbe e Macomia, na província de Cabo Delgado, no sul de Moçambique, ao longo dos meses de Agosto e Setembro.
De acordo com o último relatório elaborado pelo projecto independente de registo de conflitos ACLED (Armed Conflict Location and Event Data Project), os terroristas têm vindo a reforçar as medidas de segurança em Mocimboa da Praia, limitando a actividade comercial e humanitária.
“Consequentemente, é provável que a tensão aumente na cidade. Essa tensão poderá ser direcionada contra o Estado, quer através de protestos, quer através de uma maior colaboração com o ISM. As evidências sugerem que o regresso do ISM a Nangade visa angariar apoio da vizinha Tanzânia, um desenvolvimento que provavelmente levará ao reforço das medidas de segurança em ambos os lados da fronteira”, lê-se no relatório citado pela AIM.
Entretanto, a libertação, no início de Outubro, dos reféns capturados pelo ISM na província de Niassa no mês passado, em troca de resgate, deverá encorajar o grupo a visar estrangeiros para raptos no futuro. Isto irá preocupar as organizações humanitárias em todo o Cabo Delgado, as empresas mineiras ativas na zona do distrito de Montepuez e o sector do turismo da província de Niassa.
“A 4 de Outubro, foram libertados três reféns que o ISM tinha raptado durante o ataque de 3 de Setembro a um acampamento de caça em Niassa. A libertação ocorreu em troca de um resgate de 3,2 milhões de meticais. Os três, um sul-africano, um zimbabuano e um moçambicano, estavam detidos desde o início de Setembro na zona mineira de Shamba Kubwa, em Nairoto, no norte do distrito de Montepuez”, lê-se no estudo.
A libertação seguiu-se a um impasse de mais de três semanas entre o ISM na zona de Shamba Kubwa e as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), baseadas na aldeia de Ntola, a cerca de 45 quilómetros a sul.
De acordo com o documento, a capacidade dos terroristas de se reabastecerem sugere que o grupo possa considerar permanecer na zona, em vez de se dispersar e regressar a Macomia através do distrito de Meluco, como o comportamento passado sugere. “Isto sobrecarregaria a capacidade das Forças Armadas de Moçambique (FADM) e representaria uma ameaça contínua para os civis na Niassa e, em particular, para o turismo.”
O relatório salienta que o ISM tem como alvo civis com três objetivos principais: fomentar a deslocação de civis, gerar rendimentos e praticar retaliações.
Onze ataques a comunidades civis envolveram raptos, tendo sido relatados resgates em cinco incidentes, que variaram entre 1500 e 70 000 meticais.
De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), durante os meses de Agosto e Setembro, os ataques em Cabo Delgado (Litandacua, na N380, e em Pangane, na costa) levaram mais de 700 pessoas a fugirem.
(Foto DR)



Deixe uma resposta