A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) é chamada a reforçar a produção de conhecimento científico orientado para a identificação de soluções locais para os desafios do país, com destaque para a adaptação e a resiliência às mudanças climáticas.
O desafio foi lançado pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, na abertura do Primeiro Simpósio sobre Adaptação e Resiliência Climática, que teve lugar esta quinta-feira (22), no Campus da UEM, na cidade de Maputo.
O encontro, com a duração de dois dias, reúne académicos, representantes de instituições públicas e privadas, parceiros de desenvolvimento e comunidades, com o objectivo de debater os impactos das mudanças climáticas e identificar soluções práticas para os desafios que o País enfrenta.
Na ocasião, Roberto Albino destacou a elevada exposição de Moçambique aos fenómenos climáticos extremos, associada à limitada capacidade de adaptação, situação que afecta sectores como a agricultura, pecuária, pescas e florestas, bem como os serviços ligados às respectivas cadeias de valor.
O governante alertou que a frequência e a intensidade destes fenómenos exigem o reforço das medidas de prevenção, adaptação e mitigação, bem como a preparação do País para responder aos riscos climáticos.
“Precisamos de agir para criar capacidade de adaptação e mitigação e uma resiliência, pois, ao longo dos anos, verifica-se o aumento da frequência e da intensidade destes fenómenos”, enfatizou.
A dimensão do problema é ilustrada pelos mais de 75 eventos climáticos extremos registados no país entre 2000 e 2025, que provocaram perdas económicas superiores a 4,5 mil milhões de dólares.
Perante este cenário, Roberto Albino defendeu a necessidade de valorizar o conhecimento científico produzido pelas instituições académicas, transformando-o em informação acessível e prática, capaz de apoiar a tomada de decisões e a implementação de medidas de adaptação e mitigação.
“Por isso, senhores académicos, professores e doutores, têm aqui um interlocutor interessado em receber orientações científicas sobre como Moçambique pode construir uma economia e promover um desenvolvimento resiliente, reduzindo a dependência de financiamento externo”, frisou o governante.
Por sua vez, o Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, afirmou que o simpósio pretende promover a produção, sistematização, comunicação e partilha do conhecimento científico sobre as mudanças climáticas e as formas de adaptação aos seus efeitos. “A investigação produzida na UEM visa municiar o Estado moçambicano com evidência sólida para a tomada de decisão”, sublinhou.
O simpósio constitui, assim, uma oportunidade para aproximar a ciência das políticas públicas e das comunidades, promovendo a identificação de soluções ajustadas à realidade nacional, com vista à protecção dos meios de subsistência, ao reforço da capacidade de adaptação e ao aumento da resiliência dos sectores económicos e sociais face às mudanças climáticas.
(Foto DR)



Deixe uma resposta