Uma fonte familiar revelou que Glória Nobre, a mandatária financeira de Venâncio Mondlane, está proibida de receber visitas e de manter contacto com a família, avança o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD).
Nobre está sob custódia policial desde que, em circunstâncias pouco ortodoxas, foi “convidada”, por agentes à paisana, a prestar declarações na 8ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Maputo.
Ela está presa preventivamente na Cadeia Civil desde 14 de Março, após ter sido ouvida naquela esquadra de polícia desde o dia 12 de Março, quando foi interpelada por polícias na sua residência.
Já desde o dia da detenção, ainda na esquadra, os familiares e advogados foram impedidos de manter comunicação com a financeira. E, segundo o CDD, está é uma estratégia de pressão do regime político do dia.
“A falta de clareza sobre a sua prisão sugere claramente que estamos perante uma situação de judicialização da política, uma velha estratégia do regime de exercer pressão sobre os seus opositores políticos como forma de fazê-los desistir da luta ou fazê-los ir a negociações numa posição de fragilidade”, lê-se num Boletim do CDD sobre Direitos Humanos publicado ontem.
Para o CDD, a clarividência de se tratar de casos controlados pelo regime onde a justiça funciona ao serviço da política encontra provas em situações similares, sendo o facto de o próprio e principal opositor da Frelimo, Venâncio Mondlane ter sido ouvido na PGR; o seus assessor de comunicação, Dinis Tivane, ter sido intimado para prestar declarações no Gabinete Central de Criminalidade Organizada e Transnacional; o caso de 2023, em que o Tribunal Judicial da Província de Nampula, suspendeu presidente do Município da Cidade de Nampula, Paulo Vahanle, membro da Renamo; e a prisão domiciliária e suspensão de funções do presidente do Município de Nacala, Raul Novinte, e do seu assessor de comunicação, Arlindo Chissale, decretadas pelo Tribunal Judicial de Nacala.
“O recurso à justiça como arma de arremesso para ganhos políticos é mau para a democracia, pois deixa claro para todo o mundo ver que em Moçambique não há separação de poderes e que o executivo manda sobre os outros poderes” lê-se.
Deixe uma resposta