O quadro Sucesso Investigação, transmitido pela TV Sucesso no Jornal Principal sob o título “O Conto de Fadas”, trouxe a público uma radiografia minuciosa sobre o arrastar das promessas de reabilitação da Estrada Nacional Número Um (EN1). A rota que serve de espinha dorsal para a economia e mobilidade de Moçambique continua refém de buracos e degradação profunda, contrastando com os anúncios oficiais de fundos milionários que deveriam ter transformado a realidade da via.
A cronologia do projeto remonta a agosto de 2022, quando o então Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita, assegurou aos moçambicanos que as obras arrancariam em setembro daquele ano. Para sustentar a promessa, o Governo contava com uma subvenção de 400 milhões de dólares aprovada pelo Banco Mundial, através da Associação Internacional de Desenvolvimento, destinada a intervir em 508 quilómetros de troços prioritários em Cabo Delgado, Sofala e Zambézia.
A expectativa popular subiu de tom em janeiro de 2023, com o anúncio público de mais 800 milhões de dólares provenientes dos Emirados Árabes Unidos, após uma vistoria técnica de engenheiros árabes à rodovia. Juntas, as duas linhas de financiamento colocavam sob a responsabilidade do Estado mais de 1,2 mil milhões de dólares.
Apesar da robustez financeira anunciada, o projecto entrou num ciclo de sucessivos adiamentos ao longo de 2023 e 2024. Com a transição de pastas no ministério para João Matlombe, o discurso governamental mudou de tom, focando-se na complexidade de mobilização de recursos e na necessidade de novos orçamentos, sem avançar quaisquer datas concretas para o início da execução física das obras na estrada.
A investigação jornalística revelou uma disparidade financeira acentuada entre as duas gestões. Enquanto o plano inicial de Carlos Mesquita previa reabilitar a EN1 em cinco anos com um teto de 850 milhões de dólares, as projecções actuais sob a liderança de João Matlombe apontam para uma necessidade de 3,5 mil milhões de dólares num horizonte de dez anos, declarando ter cerca de 1,1 mil milhões de dólares assegurados no momento.
Actualmente, o Executivo indica que estão em curso os trâmites para a aprovação do relatório de avaliação para a contratação do empreiteiro do troço Gorongosa-Caia, além de estudos conceituais para os restantes pontos críticos do centro e norte do país. Confrontadas pela equipa de reportagem da TV Sucesso sobre o paradeiro e a aplicação dos fundos milionários anteriormente anunciados pelas lideranças do Estado, as instituições do sector fecharam-se em copas, mantendo sem resposta as principais dúvidas que inquietam os utentes da principal rodovia nacional.
Imagem: DR

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