A persistência do conflito armado em Cabo Delgado continua a ser encarada por figuras com passado na governação local como uma estratégia de cariz externo para condicionar o progresso financeiro e a autonomia de Moçambique. A análise foi sublinhada na última sexta-feira, na capital do país, por Eliseu Machava e Hermenegildo Infante, durante as comemorações do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
Interpelado pela comunicação social, Eliseu Machava relacionou directamente o deflagrar da violência com a descoberta de riquezas energéticas na bacia do Rovuma. O antigo governador provincial apontou que a chegada dos grupos armados coincidiu com as fases de prospecção de gás e hidrocarbonetos, sugerindo a existência de interesses externos deliberados em estrangular o potencial económico nacional.
Na mesma linha de reflexão, Hermenegildo Infante enfatizou a dimensão internacional do terrorismo. O ex-administrador de distrito defendeu que as autoridades nacionais devem intensificar o foco investigativo na identificação dos cérebros e das vias de financiamento por trás da insurreição, lembrando que, embora o país não fabrique armamento, o fluxo de capital externo continua a alimentar as redes criminosas.
Perante o cenário de insegurança que afecta o teatro operacional norte — onde as forças governamentais mantêm o combate activo —, ambos os responsáveis apelaram a uma maior coesão social. Machava sustentou que o sucesso na supressão do terrorismo e na consolidação da soberania económica reside na participação activa e no compromisso cívico de todos os moçambicanos.
As declarações ecoaram num momento solene que evoca o 25 de setembro de 1964, data que marcou o pontapé de saída para a Luta Armada de Libertação Nacional.



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