O Presidente da República, Daniel Chapo, colocou ontem a actual geração perante uma nova missão histórica: transformar a independência conquistada pela geração de Mariano Matsinha em independência económica, desenvolvimento e prosperidade para todos os moçambicanos.
Segundo Chapo a melhor forma de honrar os libertadores da pátria é continuar a construir o país pelo qual lutaram.
Discursando em Maputo, por ocasião do lançamento do livro “Major-General Mariano Matsinha: No Pedestal dos que Ousaram Lutar”, da autoria do Professor Doutor Renato Matusse, o Chefe do Estado afirmou que cada geração recebe da História uma responsabilidade própria, cabendo à actual criar as condições para que a independência política conquistada com sacrifício se traduza em melhores condições de vida para os moçambicanos.
“A independência deu-nos o direito de decidir o nosso destino. Cabe-nos então criar as condições para que cada moçambicano possa viver esse destino com dignidade”, afirmou, defendendo que a concretização dessa responsabilidade exige uma nova forma de servir o país.
Nesse sentido, apontou o conhecimento, o trabalho, a ciência, o domínio da tecnologia, a transformação digital, a Inteligência Artificial, a produção, o empreendedorismo e a inovação como instrumentos através dos quais a geração actual deve responder aos desafios do desenvolvimento nacional.
“Os instrumentos mudaram, as circunstâncias são diferentes, mas permanece a mesma responsabilidade fundamental: servir Moçambique”.
A reflexão sobre a missão actual foi enquadrada pelo Presidente na trajectória de Mariano Matsinha e da geração que participou na construção da consciência nacionalista e na luta pela independência.
Segundo o estadista, antes de pegar em armas, foi necessário desenvolver a convicção de que Moçambique podia e devia ser livre.
Daniel Chapo destacou que uma das principais heranças dessa geração foi a construção de uma consciência nacional assente na unidade nacional acima das diferenças de origem, região, língua, cultura ou condição social.
“É nesta geração que encontramos Mariano Matsinha, uma geração que aprendeu a colocar, acima das diferenças de origem, região, língua, cultura ou condição social, uma ideia maior: construir Moçambique”.
Para o Presidente da República, preservar essa herança implica igualmente garantir que a memória dos protagonistas da História nacional seja recolhida e transmitida às novas gerações.
“Uma Nação que não preserva a sua memória corre o risco de perder partes importantes de si própria. Enquanto a memória permanecer apenas naqueles que viveram os acontecimentos, ela pode partir com eles. Mas quando é recolhida, registada, estudada e transmitida, transforma-se em património da Nação”.
Foi neste contexto que o estadista valorizou a obra de Renato Matusse, considerando que o livro contribui para preservar as experiências e o percurso de Mariano Matsinha e para permitir que as novas gerações conheçam não apenas o combatente, militar e dirigente, mas também o homem e pai.
Outrossim, apelou às universidades, investigadores, escritores e instituições de memória para que prossigam o trabalho de recolha dos testemunhos dos protagonistas da História enquanto estes ainda podem transmiti-los.
Dirigindo-se directamente ao homenageado, o Presidente Daniel Chapo afirmou que a cerimónia representava uma oportunidade de prestar reconhecimento a Mariano Matsinha em vida, pelos sacrifícios assumidos e pelo seu contributo para a libertação e construção do país.
“Hoje Moçambique tem a oportunidade de olhar para um dos seus filhos e dizer-lhe, em vida: Muito obrigado, em nome do povo moçambicano, Major-General Mariano Matsinha”, disse, concluindo que “o maior reconhecimento que podemos prestar à sua geração”, a geração dos fundadores da pátria, não é apenas recordar aquilo que fizeram: “É continuar a construir o país pelo qual lutaram”.


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