Empresários exigem acesso às oportunidades no projecto de gás em Afungi

Empresários exigem acesso às oportunidades no projecto de gás em Afungi

O ambiente empresarial na província de Cabo Delgado continua marcado por tensões entre operadores económicos locais e empresas subcontratadas ligadas ao projecto de gás natural em Afungi, liderado pela TotalEnergies.

Apesar de sucessivas denúncias feitas nos últimos meses, o empresariado diz que persistem obstáculos que limitam a participação das empresas moçambicanas na cadeia de valor do empreendimento.

Com a retoma gradual das actividades do projecto Mozambique LNG, muitos operadores económicos esperavam um aumento das oportunidades de negócio. No entanto, cresce a inquietação entre empresários locais que afirmam sentir-se cada vez mais afastados dos benefícios associados ao maior investimento energético do país.

As preocupações foram reiteradas na passada terça-feira, 10 de Março de 2026, pelo presidente da CTA em Cabo Delgado, Mamudo Irache, durante um seminário sobre conteúdo local promovido pelo próprio consórcio do projecto. Segundo avançou a Rádio Zumbo, o dirigente alertou que diversos sectores da economia provincial estão a ressentir-se do actual modelo de funcionamento adoptado em Afungi, no distrito de Palma.

De acordo com Irache, áreas como hotelaria, restauração, transportes e pesca encontram-se entre as mais afectadas. O responsável refere que vários estabelecimentos enfrentam quebras significativas na procura, enquanto pescadores que investiram para aumentar a produção encontram dificuldades para escoar o pescado.

O empresariado local defende que a criação de um verdadeiro efeito multiplicador do projecto passa por uma maior descentralização das actividades económicas, envolvendo também localidades como Mocímboa da Praia e a cidade de Pemba.

Outro constrangimento apontado prende-se com a fraca comunicação entre as empresas subcontratadas e os operadores económicos da província. Muitos empresários afirmam desconhecer as entidades responsáveis por determinadas operações, o que dificulta a formação de parcerias e o acesso a contratos.

Para o sector privado, esta realidade contraria o princípio do conteúdo local, que visa assegurar uma maior participação das empresas nacionais nos grandes projectos extractivos. Assim, os operadores económicos continuam a defender mais diálogo, transparência e abertura por parte das companhias envolvidas, sublinhando que a cooperação é essencial para que os benefícios do investimento se façam sentir de forma mais abrangente em Cabo Delgado.

Image: DR

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