Moçambique busca “esforços” para evitar o encerramento da Mozal

Moçambique busca “esforços” para evitar o encerramento da Mozal

O Governo moçambicano assegurou estar a desenvolver todos os esforços necessários para evitar o encerramento da empresa de fundição de alumínio Mozal, operada pela multinacional australiana South32. A garantia foi dada pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, esta segunda-feira (09), durante declarações prestadas à margem de uma conferência sobre mineração e energia, realizada na cidade do Cabo, na África do Sul.

“Estamos a fazer tudo o que é requerido para que a Mozal continue em funcionamento”, afirmou o governante, sem detalhar o ponto em que se encontram as negociações com a empresa ou com os fornecedores de energia eléctrica.

De acordo com a agência britânica Reuters, a intervenção do ministro ocorre num momento em que a South32 anunciou, em Dezembro de 2025, a intenção de suspender as operações da Mozal e colocar a unidade sob regime de manutenção (“care and maintenance”) a partir de Março de 2026. A empresa prevê assumir um custo extraordinário estimado em 60 milhões de dólares com a paragem da produção, caso não se alcance um acordo viável para o fornecimento de energia eléctrica.

Mozal é uma das maiores instalações industriais do País e representa uma fatia significativa das exportações moçambicanas. Desde a sua entrada em funcionamento no ano 2000, a Mozal depende de energia intensiva, essencial para o seu processo produtivo, fornecida maioritariamente por fontes hidroeléctricas da região da África Austral.

Contudo, os contratos actuais de fornecimento eléctrico têm-se revelado economicamente insustentáveis para a South32, que desde 2021 encetou prolongadas negociações com o Governo e parceiros energéticos regionais, como a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Eskom da África do Sul, sem que até ao momento se tenha alcançado um consenso.

Em Agosto de 2025, a empresa já havia alertado para a possibilidade de encerrar a unidade, caso não fossem asseguradas condições contratuais mais competitivas. A ausência de um entendimento colocou em causa a viabilidade da fundição, num contexto em que o custo da energia representa uma das principais variáveis operacionais do sector do alumínio.

A decisão iminente de suspensão levanta preocupações no seio da indústria e junto das autoridades moçambicanas, tendo em conta os impactos económicos e sociais associados. A Mozal emprega directamente centenas de trabalhadores e sustenta uma cadeia de valor que envolve empresas nacionais de logística, manutenção e serviços auxiliares.

Além disso, a fundição é uma das maiores fontes de captação de divisas do país, contribuindo de forma relevante para o equilíbrio da balança comercial. O seu encerramento parcial ou total poderá afectar negativamente os indicadores macroeconómicos e comprometer a atractividade de Moçambique como destino de investimento industrial.

Perante este cenário, o Executivo reafirma a sua intenção de garantir a continuidade da operação da Mozal, considerando-a estratégica para o desenvolvimento económico nacional. “Estamos a trabalhar para que haja uma solução. A prioridade é manter esta indústria vital em funcionamento”, sublinhou Estêvão Pale.

 

(Foto DR)

Receba a nossa Newsletter

Partilhar este artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.