“Universidades querem é propinas, não ensinar”, Brazão Mazula

“Universidades querem é propinas, não ensinar”, Brazão Mazula

Algumas instituições do ensino superior estão mais focadas no lucro que numa educação de qualidade. O posicionamento é do antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) Brazão Mazula.

Falando ontem numa sessão paralela à conferência alusiva às celebrações dos 60 anos do ensino superior em Moçambique e Angola, apontou o dedo acusador a muitos gestores que fazem das universidades instrumentos de exibição da sua envergadura económica.

“Alguns estabelecimentos do ensino superior foram transformados em caixas bancárias ou estâncias comerciais académicas, onde os gestores estão mais preocupados com o valor das propinas dos estudantes”, sublinhou.

Brazão Mazula disse ainda que o ensino superior está manchado por investigadores que usam a sua inteligência para fazer das instituições um trampolim para a política e maior visibilidade pública, não se importando com a qualidade do que ensinam, muito menos com a pesquisa.

De acordo com o académico, em algumas universidades o processo do ensino e aprendizagem é feito com bastante rapidez e sem qualidade, e o prejuízo recai sobre os estudantes.

“As instituições descobriram no regime modular a forma mais célere de atirar à cabeça dos estudantes conhecimentos, sem lhes dar tempo de assimilar as matérias e justificando tratar-se do ensino centrado no aluno. Mas este sistema é empilhador, no qual o professor fala sozinho e o programa é propositadamente estruturado em módulos para cobrar mais”, apontou.

O antigo reitor denunciou casos de dirigentes que orientam os docentes a não atribuírem notas negativas aos estudantes, apesar de estes não serem aplicados aos estudos, outros ainda consideram a concorrência, sobretudo as instituições privadas, como inimigas.

João Teta, antigo reitor da Universalidade Agostinho Neto de Angola, destacou a necessidade de se garantir a sustentabilidade das instituições públicas, para uma educação de qualidade.

Falando dos desafios das instituições do ensino superior em Moçambique e Angola, referiu que os dois países não têm corpo docente próprio e com qualificação desejada.

Acrescentou que o número de docentes com graus de mestrado e doutoramento é inferior aos que possuem o nível de licenciatura, e isso traz consequências à qualidade do ensino.

“As universidade são vistas por muitos políticos africanos como problema e não como parte de soluções, por isso são marginalizadas, com o agravante de estar-se a consolidar a ideia de que o dinheiro compra o desenvolvimento e que o conhecimento não conta”, sublinhou.

Para João Teta, a consolidação e desenvolvimento das universidades de Moçambique e Angola dependem fundamentalmente da capacidade de liderança dos seus dirigentes, que devem criar programas e projectos com metas e acções que pressupõem gestão comparticipada. (Notícias)

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