Trabalhadores da Águas de Maputo paralisam actividades por falta de pagamento de salários

Trabalhadores da Águas de Maputo paralisam actividades por falta de pagamento de salários

Os trabalhadores da empresa Águas da Região Metropolitana de Maputo, decidiram paralisar as suas actividades a partir desta quarta-feira, 06 de Maio de 2026. Em causa está o que classificam como um “incumprimento reiterado” das obrigações contratuais e legais por parte da administração da empresa.

A decisão, comunicada formalmente através de uma nota de greve, surge após tentativas frustradas de resolução de conflitos por via do Comité Sindical. Segundo o documento a que tivemos acesso, os funcionários fundamentam o seu direito à greve com base no artigo 87 da Constituição da República e na Lei nº 13/2023, que reconhece o direito de suspender o trabalho para a defesa de interesses legítimos.

O colectivo aponta violações graves ao Acordo de Empresa assinado em 2025. Entre as principais queixas destaca-se o pagamento irregular e não pontual de salários, que viola a norma de remuneração até ao último dia de cada mês. Além disso, os funcionários reclamam o não pagamento do subsídio de férias e o congelamento das progressões profissionais, que deveriam ocorrer a cada três anos mas estão estagnadas há cerca de dois.

Outro ponto de tensão reside na falta de comunicação institucional e na violação dos princípios de boa-fé. Os trabalhadores alegam que direitos fundamentais, como o recebimento de prémios e subsídios fixados no acordo colectivo, estão a ser ignorados pela entidade empregadora.

Juridicamente, o grupo sustenta que a situação configura uma infracção laboral grave, citando os artigos 55, 60 e 131 da Lei do Trabalho, que protegem a pontualidade salarial e a natureza irrenunciável da remuneração. A paralisação terá uma abrangência total sobre todos os serviços prestados pela Águas de Maputo.

Apesar da medida de força, os trabalhadores comprometeram-se publicamente a observar os limites legais aplicáveis, garantindo que a ordem, a segurança e a integridade das instalações da empresa serão preservadas durante o exercício do direito à greve.

Na nota datada de 05 de Maio, o colectivo manifesta total disponibilidade para o diálogo imediato, condicionando o fim do protesto à regularização dos salários em atraso, ao pagamento dos subsídios devidos e a um esclarecimento formal sobre as progressões na carreira. Os funcionários exigem ainda um compromisso efectivo de cumprimento integral do Acordo de Empresa para evitar futuras paralisações.

Até ao momento, a Administração da Águas da Região Metropolitana de Maputo ainda não emitiu qualquer comunicado oficial sobre como pretende mitigar o impacto desta greve no fornecimento de água às populações da capital e das zonas circundantes.

Imagem: DR

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