Entre os dias 20 e 30 de Novembro do corrente ano, a capital moçambicana transforma-se num caderno de projecções para a humanidade.
A Sétima edição do Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas – Poetas D’Alma ergue-se, não como um mero evento, mas como um exercício colectivo de reinvenção sob o lema “A Possibilidade de um Mundo Novo”.
O festival posiciona-se como um acto de resistência: a arte como solo primordial onde a esperança se enraíza e a palavra como antídoto para o ruído do mundo.
Esta edição, nascida da Sexta realizada em Fevereiro deste ano, sob o mote “Resiliência e Cura”, consolida o evento como um farol cultural no continente, congregando criadores de uma dezena de nações.
O curador, Féling Capela, reflecte sobre o momento: “Vivemos uma era de múltiplas crises, morremos e renascemos como fénixis na grande Pandemia da COVID-19, e quando tentamos nos reerguer as guerras fragmentam nações e os conflitos que dividem comunidades.
Enquanto alguns procuram aprofundar as linhas de fratura cultural, nós, artistas multidisciplinares, sendo as antenas da sociedade, somos chamados a construir ‘pontes feitas de palavras e ritmos’.
Receber vozes do Brasil, de Eswatini, Namíbia, Portugal e de outros cantos do universo é alimentar um diálogo vital que se contrapõe à lógica do choque. Esta é a verdadeira cartografia do Poetas D’Alma: um mapa de conexões, não de separações.”
A programação itinerante e híbrida desdobra-se como um poema polifónico, respondendo directamente à urgência do presente.
As propostas de oficinas de cerâmica, escrita criativa, pintura criativa, dança, a feira do livro, disco, artesanato e gastronomia do festival celebram a abundância local e os saberes tradicionais propondo economias simbólicas alternativas.
A construção de novos mundos é, aqui, um acto manual e comunitário, um “aprender fazendo” que resiste à desagregação do tecido social.
Átila, Director de Produção, desvenda a arquitectura do evento: “O Poetas D’Alma é uma plataforma que propõe um palco, literal e figurativo, em que as diversas formas de arte possam criar, conversar e formar este novo mundo com raizes em constante expansão.
A linguagem da arte permite um diálogo colaborativo de sinergias, onde o público é o maior artista”.
Fiel ao seu carácter cosmopolita e comunitário, o festival levará o diálogo artístico para além dos palcos convencionais, com visitas às comunidades. Esta iniciativa garante que a seiva criativa flua directamente da cidade e da sua gente.
O VII Festival Poetas D’Alma é, assim, mais do que uma declaração de intenções. É uma prova tangível de que, a comunidade artística moçambicana e internacional se une para semear, com palavras, sons e movimentos, a possibilidade sempre viva de um amanhã diferente brilhante. É um acto de fé num futuro que se desenha colectivamente, a partir de Maputo, para o mundo.

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