O presidente da Renamo, Ossufo Momade, afirmou que não abandonará a liderança do partido a menos que o Conselho Nacional assim determine. Contestada por diferentes alas internas, a sua posição surge como resposta directa à pressão crescente para a sua saída imediata.
“Tudo vai depender da decisão dos membros. Eu fui eleito, e todos acompanharam o que aconteceu em Molócuè. Tenho dito que, no próximo Congresso, não vou concorrer. Vou deixar com os jovens, para que possam continuar com este barco”, disse Momade, ontem quarta-feira (15), na sua chegada ao aeroporto internacional de Nampula, onde foi recebido por uma multidão de apoiantes.
Em breves declarações à imprensa, o líder do “Perdiz”, citado pelo Jornal Rigor, reconheceu a existência de divergências internas, mas garantiu que a Renamo continua unida e forte, sublinhando que situações do género “são normais em qualquer formação política”.
“A Renamo é a Renamo, está forte. Isto é normal, mesmo noutros partidos existem estes tipos de problemas, mas nós não estamos preocupados com isso. A nossa gente é única, vamos unir a família e avançar para a vitória”, declarou.
A liderança de Ossufo Momade vem sendo contestada desde antes das últimas eleições gerais, cenário que se acentuou após os resultados de 2024, com críticas internas à sua forma de conduzir o partido e gerir as relações entre as diferentes alas da Renamo.
Momade destacou o empenho das estruturas locais e provinciais na mobilização dos militantes, considerando a forte adesão como sinal da vitalidade do partido. “O trabalho está a ser feito, é este que estão a ver aqui. Caso contrário, não teríamos esta multidão”, frisou.
O VII Congresso Nacional da Renamo, que decorre esta quinta-feira (16), acontece num clima marcado por contestação interna e episódios de tensão, sendo aguardado com expectativa pelos militantes e observadores políticos. O encontro deverá deliberar sobre a liderança e traçar as estratégias de actuação da maior força da oposição para os próximos anos.
(Foto DR)

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