Número de milionários cresce 6,3% em todo o mundo. Como ficam as gestoras de património?

Número de milionários cresce 6,3% em todo o mundo. Como ficam as gestoras de património?

O World Wealth Report (WWR) 2021 da Capgemini mostra que o número de milionários (ou high-net-worth individual|HNWI) aumentou 6,3% em todo o Mundo: neste momento, há mais de 20 milhões de indivíduos com este título. O volume de riqueza destas pessoas também saltou 7,6% para perto de 80 biliões de dólares.

Um dos grandes destaques da edição deste ano do relatório é a escalada da América do Norte, que inverteu a tendência dos últimos cinco anos ao ultrapassar a região da Ásia-Pacífico, tanto em número como em volume de grandes fortunas. A justificação estará na subida dos mercados de capitais e nos estímulos governamentais à economia, na sequência da pandemia de Covid-19.

Quanto ao tipo de milionários, o WWR aponta para um peso significativo dos chamados multimilionários (ultra-HNWI). Este segmento liderou o crescimento em número e em riqueza: mais 9,6% e mais 9,1%, respectivamente.

Os milionários e milionários com fortunas de médio-porte, por seu turno, cresceram 6% e 8%, respectivamente.

E o que é tudo isto significa para as empresas que prestam serviços de consultoria e gestão de património? Segundo a Capgemini, os HNWIs envolveram-se mais nos seus investimentos nos últimos 25 anos, procuram mais aconselhamento e querem que este seja cada vez mais abrangente.

“Num cenário em que há um número crescente de players tecnológicos a dedicarem-se à gestão de patrimónios, as empresas especializadas neste segmento de atividade precisam de se destacar, oferecendo serviços de consultoria suportados pelas tecnologias mais inovadoras do mercado e por modelos de negócio hiperpersonalizados”, alerta a Capgemini.

A tendência é de que os HNWIs procurem ser eles próprios a fazer os seus investimentos quando o mercado está em alta, mas assim que surgem períodos de maior volatilidade virarem-se para o aconselhamento especializado. Em tempo de crise sanitária, verificar-se-á, por isso, um maior interesse pelo trabalho desenvolvido por consultoras.

A Capgemini sublinha ainda que, atualmente, os milionários estão interessados em modelos híbridos e procuram cada vez mais um misto de interações digitais e de relacionamentos diretos.

«A indústria de gestão de patrimónios deve impor os seus limites para captar a atenção dos clientes e maximizar os serviços prestados aos milionários, habituados à conveniência e à personalização dos serviços oferecidos pela BigTech», afirma Anirban Bose, CEO da Financial Services Strategic Business Unit & Executive Board Member do Grupo Capgemini.

Se acordo com o responsável, «investir em tecnologia e talento é uma necessidade crítica para as empresas de gestão de património poderem manter a sua quota de mercado, sobretudo face ao crescimento contínuo das WealthTechs e à iminência da entrada das BigTech neste sector».

Cloud, APIs, microserviços e modelos de negócio resilientes e ágeis poderão ser alguns dos investimentos mais sensatos para as empresas que gerem património. Além disso, os milionários vão estar mais atentos às medidas ESG das consultoras que contratam.

Ainda no campo da sustentabilidade, o WWR 2021 mostra que os milionários procuram diversificar os seus portefólios com investimentos alternativos: 43% dos ultra-HNWIS e 39% dos HNWIS mais jovens poderão vir a solicitar aos seus consultores uma cotação ESG para os produtos oferecidos pelas suas empresas.

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