Nampula recebe 13,5 milhões de dólares para projectos de emergência

Nampula recebe 13,5 milhões de dólares para projectos de emergência

Parceiros humanitários mobilizaram 13,5 milhões de dólares para financiar projectos de emergência destinados à estabilização das comunidades afectadas pelos ataques armados e deslocamentos internos, sobretudo no distrito de Memba, na província de Nampula.

Os fundos deverão apoiar acções imediatas nos sectores de assistência humanitária, água, saneamento, saúde e protecção.

A informação foi avançada durante a reunião do Centro de Operações de Emergência (COE) Provincial, realizada esta quarta-feira (11), orientada pelo Secretário de Estado na província de Nampula, Plácido Pereira, cujo principal objectivo foi avaliar o ponto de situação dos deslocados internos de Memba e as respostas em curso no terreno.

Durante o encontro, o representante da UNICEF esclareceu que o montante foi mobilizado no âmbito do apoio dos parceiros humanitários e estará disponível para financiar acções de emergência nos próximos dois meses, em coordenação com o Governo provincial e os sectores que integram o COE.

Citado pelo Jornal Rigor, o governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, defendeu que a aplicação dos recursos mobilizados pelos parceiros deve obedecer a uma planificação rigorosa e concertada, de modo a garantir que os projectos respondam às necessidades reais das comunidades afectadas e evitem intervenções desarticuladas.

Intervindo no debate, o Director Provincial de Obras Públicas, Faquira Massalo, alertou que a resposta humanitária não deve concentrar-se exclusivamente no centro transitório de Alua, defendendo que parte dos recursos mobilizados pelos parceiros seja canalizada para investimentos estruturantes nas zonas de origem das populações deslocadas.

Segundo o dirigente, postos administrativos afectados pela insurgência, como Chipene, Mazua e Lúrio, enfrentam uma grave carência de infra-estruturas básicas, incluindo sistemas de abastecimento de água, saneamento, energia eléctrica, equipamentos sociais e acessos rodoviários em condições aceitáveis, factores que comprometem o regresso sustentável das famílias.

O responsável sublinhou que, em alguns distritos, apenas as sedes dos postos administrativos dispõem de energia eléctrica, enquanto as vias de acesso permanecem degradadas, dificultando tanto a assistência humanitária como o relançamento da vida socioeconómica local.

No âmbito das respostas em curso, referiu as acções do Cluster de Água, Saneamento e Higiene (WASH), que incluem a abertura de furos de água nos distritos de Memba e Eráti, visando melhorar o acesso à água potável. Contudo, alertou que os esforços ainda são insuficientes e precisam ser reforçados para garantir condições mínimas de dignidade e segurança às populações.

 

(Foto DR)

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