Moçambicano é um ser alienado e não pacífico: um convite à lucidez.

Moçambicano é um ser alienado e não pacífico: um convite à lucidez.

Ao advento dos acontecimentos vindos desde 1994, que nos aventuramos no exercício da democracia, do partido único para o multipartidarismo até à introdução dos órgãos autárquicos, com todos problemas e tantos outros novos que nunca conheceram soluções equilibradas, só tenho a dizer o seguinte:

É hora de o povo moçambicano despertar do estado de alienação política. Uma vez que nos meus 30 anos vivendo neste país, só vi promessas vazias de melhorias que nunca chegam para a maioria de nós.

Enquanto os políticos e seus comparsas saqueiam o erário público, nós assistimos conformados e inertes. Quando vai mudar essa cultura de passividade diante da corrupção sistémica? Chega de chamarem nossa inacção de “povo pacífico”. Não! Por outro lado, meu povo, vamos assumir de uma vez por todas que somos um povo alienado mesmo. Porque pacífico seria um favor e engano ao mesmo tempo.

Onde está nossa voz nos fóruns de tomada de decisões que determinam nossos destinos? Quase não há canais de participação política significativa alguma. Todos sabemos que as elites partidárias ditam tudo entre quatro paredes e por vezes numa chamada paga às custas dos impostos, enquanto o cidadão comum não é ouvido.

Basta ver os índices de pobreza, o sofrimento com a fome e as doenças e conflitos evitáveis. As desigualdades gritantes frente ao enriquecimento ilícito dos poderosos. Até quando assistiremos em silêncio à roubalheira descarada dos recursos que deveriam elevar a nossa qualidade de vida?

Irmãos, chega desse conformismo passivo. Temos o direito a prosperar e viver em paz neste solo abençoado. Por isso, devemos exigir uma reforma política profunda, com participação popular real, eleições limpas e combate implacável à corrupção a todos os níveis.

Só uma transformação das bases do sistema trará de volta a nossa dignidade, cidadania e o protagonismo político que merecemos. Caso contrário, continuaremos alienados e à margem do processo democrático e desenvolvimentista. Façamos como outras nações que construíram regimes representativos concretos e abertos destinados aos anseios de seus povos e não de um cunho de insensíveis e sanguinários, que viram a cara quando os nossos filhos, irmãos, netos, namoradas e maridos, etc perdem a vida em quartéis e esquadras sem condições mínimas de vida nem de trabalho.

Acima de tudo, vamos despertar e superar essa apatia em unidade de espírito. Só assim, juntos, através de manifestações pacíficas e propostas concretas, podemos reivindicar o lugar ao sol que nos cabe por direito em Moçambique.

Mais não disse, este é apenas um convite à lucidez e não mera mensagem da falsa narrativa de orgulho inútil na aparência de sermos pacíficos, enquanto na verdade somos alienados. Que é o pior dos estados que um povo deve estar sujeito em território como Moçambique.

Abraços

Por: Lino Mucuebo
(linoisabelmucuebo@gmail.com)
Mais sobre pacífico ou alienado, acesse: verbalyzador.blogspot.com

Partilhar este artigo

Deixe uma resposta