Análise crítica aponta para rupturas internas e falta de coerência na liderança política do país, mesmo sem alternância de poder desde a independência.
O panorama político nacional e a forma como a continuidade do Estado tem sido gerida ao longo das últimas décadas continuam no centro do debate. Numa intervenção contundente no programa “A Semana com Salomão Moyana”, transmitido pela MBC, o prestigiado jornalista e analista político Salomão Moyana partilhou uma reflexão profunda sobre o impacto de uma eventual alternância de poder e a actual postura das lideranças governativas.
Com base nas declarações feitas, Moyana antevê um cenário inédito para o futuro político do país: “Aqui deve haver um espetáculo de caráter muito grande no dia em que a Frelimo perder as eleições”.
A grande preocupação manifestada pelo analista não reside apenas na mudança de partidos, mas sim na gritante falta de continuidade que se verifica dentro da própria força política que governa o país desde 1975. Moyana sublinhou que, a cada ciclo de governação — que dura em média dez anos —, assiste-se a um “corte absoluto em relação ao passado”, uma postura que, a seu ver, simula falsamente uma transição de regime.
“Estamos a ter esses cortes graves de continuidade dentro do mesmo partido. Agora imagina se fosse um partido diferente”, questionou o jornalista, evidenciando a fragilidade institucional gerada por estas rupturas cíclicas.
Um dos pontos mais críticos da reflexão de Salomão Moyana prende-se com o comportamento dos dirigentes que transitam entre diferentes executivos. O analista lamentou o facto de as mesmas figuras que desenharam ou apoiaram políticas anteriores adotarem, com facilidade, um discurso de ruptura com o que foi feito antes.
O jornalista apontou que, curiosamente, as mesmas pessoas continuam presentes nos órgãos do partido e no próprio Governo. Ainda assim, demonstram-se “capazes de renegar o seu passado de há dois anos atrás”.
Moyana concluiu a sua intervenção com um apelo firme à responsabilidade política e à maturidade das instituições, afirmando de forma categórica que esta postura de desresponsabilização histórica não pode continuar: “Isso não pode, isso tem que acabar”.

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