Governo gasta 93% das receitas em pagamentos de salários e dívida pública

Governo gasta 93% das receitas em pagamentos de salários e dívida pública

O Representante Residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse  esta quarta-feira que 73% das receitas públicas arrecadadas pelo Governo vão para o pagamento dos salários e 20% são destinados ao serviço da dívida pública.

“73% é usado para despesas recorrentes. Estas não são despesas de investimento, não são gastas em infra-estruturas, não são utilizadas para o desenvolvimento de pessoal e não melhoram a diversificação da economia”, disse o representante da FMI, Alexis Meyer Cirkel.

O cenário pode comprometer a continuidade do apoio do Fundo Monetário Internacional ao país.

“Isto é tudo o que falamos que é necessário para impulsionar o crescimento e a renda per capita do país. É importante lembrar que esses recursos são utilizados por 3% da população ocupada, que são servidores públicos. Estes 3% captam 73% da receita fiscal,” acrescentou perante aos jornalistas, gestores de entidades públicas e privadas e economistas durante a apresentação do relatório da FMI.

“A massa salarial é obviamente insustentável, pois absorve praticamente todas as receitas fiscais. Se olharmos para isto, com 73% das receitas fiscais mais 20% pagos sobre a dívida, restam apenas cerca de 7% a 8% para necessidades de investimento público, construção de escolas, estradas e pagamento de bens e serviços no sector empresarial”, referiu.

Diante da situação, o FMI recomenda  o cumprimento  da lei prevista por parte do Governo. “No momento, a nossa recomendação é trazer a massa salarial para aquilo que foi acordado no final do ano passado como a lei do Orçamento do Estado. Se isso não acontecer, nós vemos grandes riscos para a sustentabilidade dessa despesa com a massa salarial, para a sustentabilidade fiscal”, sugeriu o representante residente do FMI em Moçambique.

Devido à violação da lei orçamental, o Fundo Monetário Internacional diz que será difícil para si continuar a apoiar o país na recuperação económica, nas reformas de boa governação, gestão de finanças públicas, entre outros aspectos.

“Os excessos daquilo que tinha sido orçamentado, principalmente quanto à massa salarial, isso nos preocupa bastante”, disse o representante, que irá terminar a sua missão em Moçambique em Agosto próximo.

Partilhar este artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.