Fitch mantém rating de Moçambique em CCC e prevê crescimento de 1,8% este ano

Fitch mantém rating de Moçambique em CCC e prevê crescimento de 1,8% este ano

A agência de notação financeira Fitch decidiu esta quarta-feira manter o `rating` de Moçambique em CCC devido às preocupações com a dívida, o financiamento externo e a falta de resolução judicial das chamadas `dívidas ocultas`.

“O `rating` de Moçambique reflecte os riscos dos elevados níveis de dívida para a sustentabilidade da dívida, as limitadas fontes de financiamento, que se juntam ao elevado défice orçamental e necessidade de financiamento externo, e a falta de resolução da dívida do sector público”, escrevem os analistas da Fitch Ratings.

Na nota que acompanha a decisão de manter o `rating` do país em CCC, bem abaixo na escala de recomendação de não investimento, ou `lixo`, como é geralmente conhecido, a Fitch escreve que “o impacto da pandemia e os riscos de segurança aumentam a pressão sobre a despesa pública de curto prazo” e acrescenta que, “num contexto de limitadas fontes de financiamento, isso pode ter um impacto negativo nas perspectivas de crescimento a médio prazo e aumentar os desafios sobre a sustentabilidade da dívida”.

O rácio da dívida pública face ao PIB de Moçambique, um dos mais elevados da África subsaariana, “aumentou para 121% do PIB, reflectindo em grande medida o impacto da depreciação do metical em 18%”, lê-se na nota, que lembra que 83% da dívida pública é detida em moeda externa, principalmente dólares, e é por isso significativamente afectada pela evolução do câmbio da moeda nacional, o metical.

Os analistas estimam que o rácio da dívida pública desça para cerca de 120% até 2023 devido à consolidação orçamental, recuperação económica, depreciação moderada da taxa de câmbio e endividamento da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos para financiar a sua participação nos megaprojectos de exploração de gás natural, no norte do país.

O PIB nacional, depois de ter registado uma contração de 1,2% em 2020, deverá crescer 1,8% este ano, acelerando para 3,4% e 4% nos próximos dois anos, aproximando-se da tendência de crescimento registada antes da pandemia.

No entanto, advertem, “as perspetivas de crescimento económico são sensíveis aos eventos climatéricos adversos, à evolução da pandemia e à situação nos principais mercados exportadores”.

Na explicação da manutenção da opinião sobre a qualidade do crédito soberano em CCC, o segundo pior a seguir a um Incumprimento Financeiro (`default`) e que indica uma “possibilidade real de incumprimento” das obrigações financeiras, a Fitch sugere ainda que um programa de apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional poderia funcionar como “uma âncora para as políticas” e poderia também “melhorar as condições de financiamento”.

Moçambique registou esta quarta-feira 32 óbitos, o maior número diário de mortes por covid-19, a que se somam mais de 1700 casos de infecção, elevando o total de mortes para 1 190 e o de infecções para mais de 103 mil, sendo que 77% já estão curados.

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