Financiadores da TotalEnergies “não têm pressa em desembolsar dinheiro para o projecto da Área 1”

Financiadores da TotalEnergies “não têm pressa em desembolsar dinheiro para o projecto da Área 1”

Os credores da TotalEnergies mantém reservas quanto a urgência em desembolsar o valor acordado na Decisão Final de Investimento (DFI) para a implementação do projecto na Área 1 da bacia do Rovuma, na Província de Cabo Delgado, avança o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD).

“Os credores também adoptaram uma postura mais cautelosa. Isto é, os donos do dinheiro não têm “pressa” em fazer o desembolso do financiamento que suporta a DFI alcançada em Junho de 2019”, escreve o CDD.

Na verdade, o principal credor do projecto da TotalEnergies, na Bacia do Rovuma, o Banco de Importação e Exportação dos Estados Unidos (US EXIM) ainda não desembolsou o valor acordado, 3,7 mil milhões de dólares.

“O banco estatal americano entrou no negócio do gás da bacia do Rovuma em Setembro de 2019 quando autorizou um financiamento directo de até cinco mil milhões de dólares para apoiar a exportação de bens e serviços de engenharia, procurement dos EUA para o desenvolvimento e construção do projecto na Área 1”, diz o CDD.

Aliás, a fonte recorda que o CEO da petrolífera francesa, Patrick Pouyanné, disse que “não há pressa” para retoma do projecto. Para o levantamento da “força maior” a TotalEnergies exige retorno dos funcionários do Estado às vilas vizinhas de Palma e Mocímboa da Praia; manutenção do custo do projecto “como era antes”; melhores condições de segurança; e uma avaliação positiva das condições humanitárias em Cabo Delgado.

Este último requisito foi confirmado pelo relatório independente da petrolífera encomendado ao auditor independente Jean-Christophe Rufin. O documento foi partilhado na terça-feira (23) pela petrolífera.

No dia anterior à divulgação do documento, o CDD alertava para um exercício redobrado da TotalEnergies dadas actuais condições de segurança em Cabo Delgado. “A retoma do projecto em um momento inoportuno pode implicar sérios custos reputacionais e económicos aos credores, na medida em que os seus recursos estariam associados a investimentos em contextos de insegurança e violação de direitos humanos, “beliscando” a sua boa imagem no mercado internacional”, lê-se.

Não obstante, a avaliação positiva do auditor e diplomata francês, bem como os reiterados discursos do Governo sobre relativa segurança em Cabo Delgado e sucessivos apelos para a retoma do projecto, correm notícias sobre ataques terroristas na região.

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