As Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) alertaram este 23 de janeiro a opinião pública nacional e internacional sobre as estratégias do exército ruandês e dos seus aliados da coligação APC/M23, acusando-os de criarem “insegurança e caos” após a sua retirada das zonas que ocupam.
Num comunicado de imprensa divulgado esta quinta-feira, o porta-voz das FARDC, o tenente-coronel Mubaka Bazukay, denuncia que, na véspera da evacuação de Uvira, as forças ruandesas e os rebeldes da coligação terão “sistematicamente pilhado e deixado a cidade à mercê de gangues de saqueadores bem organizados”.
Segundo o documento militar, estes atos foram planeados durante uma reunião realizada no sábado, 17 de janeiro de 2026, em Uvira. Nesse encontro, o comandante das Forças de Defesa do Ruanda, os rebeldes da coligação APC/M23 e os seus aliados de Twiraneho e do RCD-Tabara terão decidido “destruir importantes infraestruturas estatais e privadas”, bem como levar “materiais de reabilitação de estradas e veículos do Estado congolês, com o objetivo de desmantelar as comunidades vulneráveis do Sul-Kivu”.
O comunicado refuta ainda uma mensagem difundida nas redes do exército ruandês, que atribuía falsamente às FARDC a militarização de uma escola primária na província de Kivu do Sul durante a ocupação. Contudo, “vários meios de comunicação independentes locais relataram que, após a retomada da cidade de Uvira, as FARDC aí destacaram dispositivos de segurança”, incluindo os das Banyamulenge, “que recusaram ser instrumentalizados pelo exército ruandês e pelos rebeldes da coligação APC/M23, Twiraneho e RCD-Tabara, preferindo permanecer em Uvira”.
As FARDC sublinham que respeitam “as resoluções e compromissos relativos aos Direitos Humanos e ao Direito da guerra”, garantindo que “não cometem atos de genocídio cientificamente planeados e executados contra o povo congolês”.
O exército congolês reafirmou “com força” o seu “firme empenho e determinação em defender a integridade do território nacional e proteger todas as comunidades e os seus bens até ao sacrifício supremo”.
O conflito no leste da RDCongo envolve grupos rebeldes apoiados pelo Ruanda, segundo Kinshasa e observadores internacionais, numa região rica em recursos minerais e marcada por décadas de instabilidade.
Imagem: DR

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