A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) revela que o recrudescimento da violência armada em Cabo Delgado e Nampula, que já levou ao deslocamento de mais de cem mil pessoas, está a sobrecarregar o sistema de saúde já precário.
A situação, que agrava a crise humanitária na região, levou ao aumento de consultas médicas por parte da MSF que aponta para interrupção de tratamentos e aumento de partos nos domicílios. Só em Cabo Delgado, entre Janeiro e Julho, houve perto de cem mil consultas, 45 mil casos de malária e 12 mil infecções respiratórias. Se agregados os dados de Nampula, a MSF registou mais de 107 mil consultas.
Citada pela DW, Sofia Minetto da MSF denunciou a falta de atenção à situação por parte da comunidade internacional, o que deixa ainda mais vulneráveis as comunidades.
“Em 2025, especialmente, a partir do fim de Julho, temos visto que a violência no Norte de Moçambique está a intensificar-se. Há níveis de deslocamentos e frequência de ataques que não se viam há bastante tempo. Parece que em Nampula se verificou a terceira e maior vaga de deslocamentos, desde Julho. São mais de cem mil pessoas” disse.
Essa crise permanece fora do foco internacional.
“Também há uma falta de cobertura mediática consistente, o que acaba por ofuscar a crise humanitária de Cabo Delgado em comparação com outras crises globais que estão a ter dados alarmantes e números muito altos de mortos e feridos” notou.
Mais ainda, Minetto disse referiu que a complexidade do conflito dificulta as acções da comunidade internacional para abordar o contexto.
“Em geral, isso faz com que haja ausência de pressão significativa por pare de países ou organizações que têm muita influência” afirmou.

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