Banco africano quer distribuir ‘Novo Capital’ do FMI em África

Banco africano quer distribuir ‘Novo Capital’ do FMI em África

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) defendeu na semana passada que deve ser o banco a redistribuir os Direitos Especiais de Saque (DES) do FMI porque assim será possível alavancar esse valor em quatro ou cinco vezes.

“Recebemos muito encorajamento dos nossos acionistas para ser o BAD a receber esta alocação do Fundo Monetário Internacional (FMI) porque devido ao nosso rating de AAA [o mais elevado] conseguimos alavancar o montante em quatro ou cinco vezes”, disse Akinwumi Adesina, durante a conferência de imprensa que marcou o fim dos Encontros Anuais, que decorreram em formato virtual a partir de Abidjan.

“Os acionistas, os governadores do banco querem que sejamos nós a redistribuir o montante que virá para África, porque assim podemos financiar os bancos de desenvolvimento nacionais e aumentar o envelope financeiro que teremos à nossa disposição para garantir a recuperação económica”, anunciou ainda o presidente do banco.

O continente africano tem direito a 33 mil milhões de dólares dos 650 mil milhões de dólares, quase 545 mil milhões de dólares, que o FMI se prepara emitir em DES para ajudar as economias a recuperarem da pandemia, mas esse valor é claramente insuficiente para as necessidades de África, acrescentou o banqueiro, apesar de na cimeira de Paris, em maio, ter sido prometido que 100 mil milhões de dólares serão canalizados para as economias africanas, provenientes dos países mais ricos.

“Combinámos em Paris que África deve receber pelo menos 100 mil milhões de dólares dos 650 mil milhões de dólares que serão emitidos, mas estatutariamente, tendo em conta a quota de cada país, o continente receberia apenas 33 mil milhões de dólares, que não chegam para lidar com as questões que África enfrenta”, salientou Adesina.

“Só os países de baixo rendimento precisam de 245 mil milhões de dólares até 2030, e toda a África subsaariana precisa de 425 mil milhões de dólares até 2030”, disse, seguindo as estimativas apresentadas pelo FMI no início deste ano.

Segundo o responsável, “África não tem apenas um problema, tem três ao mesmo tempo”, uma vez que “o continente enfrenta simultaneamente uma crise do clima, da dívida e da pandemia, por isso a utilização dos DES não deve ser tradicional, uma vez que a situação é muito diferente”.

Presente na conferência de imprensa, o ministro das Finanças do Gana, Ken Ofori-Atta, resumiu: “Precisamos de uma realocação dos DES porque é urgente que as verbas venham diretamente para o BAD”.

O Fundo está a preparar-se para fazer a maior injeção de recursos de sempre nos seus Estados-membros, aumentando a liquidez global e ajudando os países de menores rendimentos e maiores dificuldades a lidarem com as consequências económicas da pandemia.

Além disto, o FMI tem vindo a defender que os países mais ricos possam canalizar algumas das verbas que vão receber para os países em maiores dificuldades, nomeadamente os africanos, que estão em situação particularmente vulnerável devido aos impactos económicos e sanitários da pandemia de covid-19.

Esta ajuda pode ser feita com os instrumentos atuais, nomeadamente o Fundo de Redução da Pobreza e Crescimento, que permite a disponibilização de empréstimos sem juros, mas o modelo só se aplica aos países considerados de baixo rendimento, e o FMI quer alargar o modelo às economias dos pequenos arquipélagos e aos países de rendimento médio e baixo.

Este Fundo de Resiliência e Estabilidade, uma das propostas do FMI, poderia estar finalizado até Dezembro, dependendo das aprovações necessárias, mas para já o que os países mais vulneráveis podem contar, entre os quais os africanos, é com a receção de 33 mil milhões de dólares resultantes da sua quota de DES, e provavelmente mais 100 mil milhões de dólares que foram prometidos pelos países mais ricos.

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