BAD alerta para risco de instabilidade nos países africanos após eliminação dos subsídios aos combustíveis

BAD alerta para risco de instabilidade nos países africanos após eliminação dos subsídios aos combustíveis

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) emitiu um aviso contundente sobre a potencial instabilidade que paira sobre vários países africanos, incluindo a Nigéria, o Quénia, a Etiópia e Angola, em consequência da supressão dos subsídios aos combustíveis e do aumento do custo de vida.

“Os conflitos internos e a violência podem igualmente resultar do aumento dos preços dos combustíveis e de outros produtos de base devido ao enfraquecimento das moedas nacionais e das reformas”, afirma o relatório “Africa’s Macroeconomic Performance and Outlook”.

Além disso, a supressão dos subsídios aos combustíveis e outras medidas de emergência nalguns países podem agravar as pressões inflaccionistas.

O Presidente nigeriano, Bola Tinubu, eliminou os subsídios aos combustíveis, e a medida foi apoiada pelo Fundo Monetário Internacional. A supressão dos subsídios provocou um aumento dos preços dos produtos de base, o que levou ao insatisfação da população, levando a protesos em diversas cidades nigerianas.

A elminação dos subsídios aos combustíveis e a fraqueza da moeda local levaram a inflacção a atingir um máximo de quase três décadas de 29,9% em Janeiro.

No Quénia, o Presidente William Ruto introduziu a eliminação dos subsídios aos combustíveis em Setembro de 2022. Contudo, em Agosto de 2023, o seu Governo restabeleceu um pequeno subsídio para estabilizar os preços de retalho dos combustíveis durante os 30 dias seguintes, uma inversão da política governamental na sequência da indignação pública com o elevado custo de vida.

Em Janeiro deste ano, o FMI criticou o Quénia por ter restabelecido os subsídios aos combustíveis, afirmando que a falta de fundos para pagar aos comerciantes de petróleo poderia distorcer o orçamento.

Quanto ao outro país destacado no relatório do BAD, a Etiópia, o governo começou a eliminar gradualmente os subsídios aos combustíveis em Julho de 2022. Até ao final de Janeiro, os reguladores tinham excluído quase três quartos das empresas de transportes do país do programa de subsídios aos combustíveis, de acordo com o Ministério dos Transportes e Logística.

O Governo angolano anunciou a eliminação progressiva dos subsídios aos combustíveis em Junho de 2023, descrevendo-a como uma medida necessária para promover um crescimento económico sustentável que possa fazer face aos “graves” desafios que o país enfrenta.

Mas em Outubro passado, a Ministra das Finanças de Angola, Vera Daves de Sousa, disse que o Governo iria abrandar o processo, tendo aprendido uma lição com os protestos de Junho, quando “a sociedade reagiu com choque” aos preços dos combustíveis.

 

Partilhar este artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.