Um tribunal de Paris condenou a multinacional francesa TotalEnergies, por “enganar” os consumidores, ao assumir-se comprometida com a transição energética, seguindo práticas que contrariam essa política, escreve o CleanTechnica.
A acção foi interposta por três organizações ambientalistas: Greenpeace França, Friends of the Earth e Notre Affaire à Tous, tendo a decisão judicial sido anunciada em finais de Outubro.
Os juízes consideraram que, através de publicidade, comunicados e reivindicações públicas, a TotalEnergies iludiu os consumidores, chamando a si o papel de “actor de referência na transição energética” e colocando-se “a caminho da neutralidade carbónica até 2050”.
Essas alegações são enganosas à luz da legislação francesa de defesa do consumidor, escreve aquele portal dos EUA sobre “tecnologia limpa”.
Como consequência, a TotalEnergies foi condenada a publicar a sentença no seu “website”, durante 180 dias, e a pagar multas simbólicas às três organizações que intentaram a acção.
A referida decisão não teve como objecto derrames de petróleo, emissões de gases ou evasão fiscal, mas incidiu puramente sobre a linguagem que a TotalEnergies usa na sua política sobre transição energética.
“Foi a primeira vez que uma gigante dos combustíveis fósseis foi juridicamente responsabilizada em França por práticas de branqueamento ecológico”, nota a fonte.
As organizações fundamentaram a sua queixa tomando como alicerce o Código de Defesa do Consumidor francês e não na legislação ambiental.
“O argumento era simples: ao apresentar-se como líder da transição energética, enquanto prosseguia a expansão da produção de petróleo e gás, a TotalEnergies criou uma impressão enganosa junto do público”, enfatiza o CleanTechnica.
De acordo com o portal, as comunicações da petrolífera visavam os consumidores e não os reguladores nem os investidores. Assinala ainda que, quando a Total reconfigurou-se como TotalEnergies, em 2021, apresentou essa mudança como o início de uma transformação de largo espectro.
“O novo logotipo, com cores vivas, evocava o solar e o eólico. Os materiais de imprensa proclamavam que a empresa estava a ‘reinventar a energia’”, recorda.
Contudo, os relatórios financeiros da petrolífera francesa mostram outra realidade. Em 2023, mais de 90% dos 240 mil milhões de dólares em receitas provinham de hidrocarbonetos.

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