Tanzânia prende líderes da oposição para impedir protestos em Dar es Salaam

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Tanzânia prende líderes da oposição para impedir protestos em Dar es Salaam

Tanzânia prende líderes da oposição para impedir protestos em Dar es Salaam

A polícia tanzaniana deteve hoje, segunda-feira (23), dois dirigentes do principal partido da oposição, um pouco antes do arranque da manifestação prevista contra o desaparecimento de activistas.

Numa publicação da AFP, Chadema, partido da oposição, lançou o seu apelo para sair às ruas da capital económica Dar es Salaam hoje, segunda-feira, na sequência do assassinato de um dos seus dirigentes, Ali Mohamed Kibao, raptado por homens armados e encontrado morto a 7 de Setembro.

O líder do partido, Freeman Mbowe, foi detido quando falava aos jornalistas no bairro de Magomeni, um dos pontos de partida previstos para a manifestação, segundo um vídeo publicado pelo partido Chadema nas redes sociais.

“A manifestação é o nosso direito constitucional, mas estamos surpreendidos com a quantidade de força utilizada pela polícia para ameaçar as pessoas e suprimir a nossa liberdade”, diz ele nas imagens.

No sábado, a polícia enviou para Dar es Salaam agentes da polícia de choque com canhões de água, impedindo a realização de grandes concentrações.

“Este é o preço da democracia no nosso país”, afirmou enquanto os agentes da polícia o levavam.

O partido da oposição denuncia a repressão crescente que lhe é exercida a poucos meses das eleições autárquicas do final de Novembro, às quais se seguirão eleições presidenciais e legislativas no próximo ano, acusando a Presidente Samia Suluhu Hassan de regressar às práticas autoritárias do seu antecessor, John Magufuli, depois de ter dado sinais de abertura democrática quando chegou ao poder em Março de 2021.

No início de 2023, as autoridades anunciaram o levantamento da proibição de reuniões políticas da oposição que estava em vigor desde 2016. Tundu Lissu, uma figura política de destaque na Tanzânia, regressou a casa nos dias seguintes, após mais de cinco anos de exílio na Bélgica.

A polícia tinha bloqueado o acesso à sua casa desde domingo à noite “mas eu não estava lá”, disse aos jornalistas.

Um pouco antes, o Chadema tinha anunciado a detenção do seu vice-presidente Tundu Lissu, cuja casa nos arredores de Dar es Salaam também tinha sido “cercada” pela polícia.

Segundo a mesma publicação, o comandante da polícia tanzaniana, Jumanne Muliro, salientou no fim de semana que “desde que as manifestações foram anunciadas, a polícia declarou publicamente que as manifestações são proibidas”. “Se o Chadema tem a sua própria posição, isso é com ele”, acrescentou.

Recorde-se que em Agosto, numa manifestação anterior, já proibida pela polícia, mas mantida pelo Chadema, 520 dirigentes e apoiantes do partido, incluindo Freeman Mbowe e Tundu Lissu, foram detidos em todo o país, tendo sido libertados poucos dias depois.

 

(Foto DR)

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