O presidente do Standard Bank, Nonkululeko Nyembezi, disse que o banco vai continuar a financiar projectos de gás e petróleo a curto e médio prazo. Os accionistas e activistas do banco questionaram ao Conselho de Administração a pertinência do financiamento.
Nyembezi explicou que o objectivo de continuar a financiar projectos energéticos fósseis está no compromisso de desenvolver o continente africano.
“Não vamos privilegiar a sustentabilidade à custa do desenvolvimento de um país pobre”, disse Nyembezi. Ele falava na segunda-feira (12), em Joanesburgo, durante a 54ª Assembleia Geral Anual do maior banco sul-africano.
“Se dissermos que estamos a impulsionar o crescimento de África, torna-se muito difícil articular um argumento sobre a forma de o fazermos sem financiamento e sem nos preocuparmos realmente com o crescimento económico”, explicou.
O banco foi questionado, por exemplo, sobre financiamento a projectos de exploração de gás e por estes terem impactos sociais ambientais negativos.
O banco disse que seus projectos de financiamento a exploração de gás estão em linha com as políticas climáticas do banco.
No mês passado, o Standard Bank publicou uma actualização da sua política climática e afirmou que o financiamento para as energias renováveis é agora 439% superior ao financiamento para as energias não renováveis.
Em 2022, o Standard Bank canalizou 55 mil milhões de randes para transacções financeiras sustentáveis, excedendo o seu objectivo previamente estabelecido de 40 mil milhões de randes para o período. Até 2026, a ambição do banco é ter apoiado projectos sustentáveis com um financiamento entre 250 mil milhões e 300 mil milhões de randes.
O banco considera o gás como um combustível de transição, afirmou Kenny Fihla, Director Executivo do segmento de Banca de Empresas e Investimento do Standard Bank.
“A um nível elevado, está em conformidade com a nossa política [climática]”, acrescentou Fihla.
Mas Emma Schuster, analista sénior de riscos climáticos da organização de activismo accionista Just Share, diz que a posição do banco sobre a incorporação do gás como combustível de transição é “outra posição conveniente que o banco tomou”.
“Alguns dos modelos recentes mostram que uma quantidade muito pequena de gás pode ser necessária para compensar algumas das deficiências das energias renováveis”, afirma Schuster, acrescentando que o banco está, no entanto, a utilizar este facto para se permitir mergulhar em grandes projectos de gás.
A visão obstinada do Standard Bank de que é necessário um equilíbrio entre o desenvolvimento de África e uma transição justa é problemática.
“A transição justa tem a ver com o desenvolvimento africano – não é contrária ao desenvolvimento africano”, disse Schuster.
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