Salomão Moyana, jornalista e membro da Comissão Nacional de Eleições (CNE), acusou o porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, de mentir sobre a decisão da CNE de excluir a Coligação Aliança Democrática (CAD) das eleições parlamentares e provinciais agendadas para 9 de outubro.
Em 18 de Julho, Cuinica disse em uma conferência de imprensa em Maputo que as listas de candidatos do CAD foram rejeitadas em uma reunião no dia anterior. Ele alegou que essa decisão foi tomada por consenso, sem que nenhum membro da CNE tenha discordado.
Entretanto, citado na última edição do semanário independente “Canal de Moçambique”, Moyana disse que, na verdade, votou contra a decisão.
Disse que não conseguia ver nada de irregular nas listas de candidatos do CAD. De fato, nesta fase, “não é legalmente possível rejeitar a candidatura do CAD, porque a CNE já aprovou e publicou no Boletim da República nossa aceitação da regularidade da candidatura”.
“Mesmo que a candidatura fosse irregular, com a publicação no Boletim da República, ela se tornou regular”, afirmou o jornalista Moyana em entrevista concedida ao semanário.
O membro da CNE vai mais longe e afirmou que seus colegas no CNE só votaram contra as listas do CAD quando descobriram que a CAD estava apoiando o candidato presidencial independente, Venâncio Mondlane.
Mondlane era uma figura importante no principal partido da oposição, a Renamo, e foi candidato da Renamo a prefeito de Maputo nas eleições municipais do ano passado, tidas até aqui como as mais fraudulentas da história
Aliás, Venâncio Mondlane tornou-se uma figura conhecida nacionalmente por sua campanha contra os resultados fraudulentos das eleições municipais, actualmente é um trunfo muito maior para a CAD do que qualquer um dos partidos componentes da coalizão.
O jornalista acredita que alguns membros da CNE despertaram tarde que Mondlane declarou que estava concorrendo à Presidência.
“Meus colegas descobriram tarde que a CAD é o partido de Venâncio Mondlane”, disse Moyana, “e tiveram que inventar algum tipo de história no último minuto. Mas quando aprovamos o CAD em Maio, não estávamos bêbados”.
Quanto às alegações de Cuinica de que a decisão do CNE foi unânime, “É mentira. Votei contra”, declarou Moyana.
De referir que a CAD através do seu representante, Elvino Dias, apresentou um recurso contra a rejeição das suas listas ao Conselho Constitucional, o órgão máximo de Moçambique em matéria de direito constitucional e eleitoral.
O presidente do CAD, Manecas Daniel, instou o Conselho a aprovar o recurso “para repor a verdade e corrigir o erro cometido pela CNE”.
Se o recurso não for aceite, acrescentou, a CAD organizará uma manifestação em Maputo no sábado “e não aceitará responsabilidade por quaisquer danos”.


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