A Comissão Política da Renamo marcou para Março de 2026 a realização de mais um Conselho Nacional por forma a integrar todos os generais e membros que têm contribuído desde a existência do partido. A informação foi avançada pelo porta-voz da Comissão Política da Renamo, Saúde Fidel, que falava nesta terça-feira (16), em Maputo, após mais uma sessão do órgão.
Em declarações prestadas à imprensa nesta terça-feira, o partido liderado por Ossufo Momade assegurou que a marcação de mais uma reunião se enquadra nas iniciativas que visam colocar fim à “situação” que a Renamo atravessa.
A anteceder o Conselho Nacional, o partido da perdiz prevê um encontro em Janeiro próximo, visando debater outros processos internos.
Na mesma ocasião, a Renamo condenou a vandalização das suas delegações, lamentando ainda os supostos actos de desinformação no seio do partido.
A Renamo enfrenta, desde o período pós-eleitoral, desafios internos relacionados à gestão das suas estruturas provinciais, num contexto político marcado por disputas de influência e contestação de legitimidade.
Na última quinta-feira (11), um confronto entre militantes da Renamo resultou, em pelo menos oito feridos na delegação política provincial do partido, em Nampula. O incidente expôs mais uma vez as tensões internas relacionadas à contestação da liderança local.
O episódio ocorreu momentos depois de uma conferência de imprensa convocada pela direcção provincial, na qual o partido reafirmou que não reconhece qualquer estrutura paralela nem processos informais de escolha de dirigentes. Segundo a Renamo, circulam grupos que se apresentam como coordenadores provinciais sem mandato oficial.
De acordo com informações apuradas, um grupo de militantes deslocou-se da zona da Rua de Moma até à sede oficial do partido, num gesto de apoio a um alegado coordenador provincial não reconhecido pelos órgãos formais. À chegada, registou-se um confronto entre membros afectos à direcção e os apoiantes da estrutura contestada.
O porta-voz da Renamo em Nampula, Nelson Carvalho, havia alertado, antes do incidente, que o partido não se responsabilizaria por eventuais actos promovidos por grupos não mandatados. Carvalho frisou que a direcção provincial continua a ser a única instância legitimada para conduzir os trabalhos políticos na província.
A direcção provincial reiterou, após o incidente, que não reconhece qualquer coordenação paralela e que considera ilegítimo o uso de símbolos e documentos oficiais do partido para validar iniciativas não autorizadas.
(Foto DR)

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