Em Moçambique, quatro em cada 100 crianças, da terceira classe, do ensino geral, não sabem ler e escrever, uma cifra que corresponde a 4,5 porcento.
Esta é uma das conclusões de um estudo encomendado pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) e que será divulgado na Cimeira Mundial de Educação, a ter lugar em Setembro, em Nova Iorque, que vai decorrer sob o lema “Transfomar a Educação”.
O facto foi anunciado pela vice-presidente do Movimento Educação para Todos (MEPT) Amina Issa, durante a apresentação do estudo sobre a situação da educação em Moçambique.
Issa caracteriza a situação de dilema, sublinhando que “a educação em Moçambique não está boa”.
“Quando temos quatro em cada 100 crianças que não sabem ler nem escrever na terceira classe, o que nós esperamos como futuros dirigentes? O que nós esperamos como pilares para o desenvolvimento deste país?”, indagou. Por isso, considera que as autoridades de educação devem tomar medidas urgentes para inverter as actuais estatísticas.
“Essas crianças precisam de ler, escrever e completar aquilo que são as competências básicas para o seu desenvolvimento”, disse.
“Nós, como sociedade civil, trabalhamos em parceria com o Governo e estamos felizes por estarmos a ser consultados para dar os nossos inputs e aquilo que são as nossas posições para essa cimeira mundial porque sentimos que somos parte da solução”, afirmou.
Com uma periodicidade de dois anos, o estudo avalia a proficiência de leitura e escrita para as crianças em idade escolar. Issa acredita que o sector da Educação no país necessita de muito apoio e trabalho.
“Nós adiantamos alguns aspectos. O primeiro é a questão do professor e sua valorização. Sentimos, como Movimento de Educação para Todos, que o professor é a peça-chave para qualquer educação”, sublinhou.
A fonte apontou como uma das estratégias a motivação do professor, aumento salarial, melhoria das condições de trabalho, incluindo infra-estruturas. A questão do rácio professor/aluno na sala de aula é outro obstáculo que impede o docente de transmitir os conhecimentos aos alunos.
“Nós temos um rácio de 62 alunos por professor/turma, e isso não ajuda. A pandemia da Covid-19 veio mostrar que é possível nós diminuir-mos este rácio”, disse.
Outra estratégia tem a ver com o financiamento para a educação.
“De modo geral, até agora, a verba que entra para o sector, 95 porcento é gasta em despesas administrativas e não em novos investimentos”, vincou.
A vice-presidente defendeu o aumento do orçamento de modo que a educação chegue às crianças, para que elas tenham carteiras, livros e condições adequadas para aprender. (Notícias, via AIM)
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