Portugal deu “autorização condicional” aos EUA para uso da Base das Lajes após ataque ao Irão

Portugal deu “autorização condicional” aos EUA para uso da Base das Lajes após ataque ao Irão

Portugal concedeu uma “autorização condicional” para utilização da Base das Lajes, nos Açores, mas apenas após Washington ter informado Lisboa de que tinha realizado uma intervenção militar no Médio Oriente.

A informação foi avançada esta segunda-feira, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, durante uma entrevista concedida à CNN Portugal.

Durante a entrevista Rangel sublinhou que nenhum meio militar envolvido na operação norte‑americana partiu dos Açores. “Não houve nenhum meio que, a partir dos Açores, fosse utilizado em qualquer ataque até então.”

Seguindo o governante, até sexta‑feira, 27 de Fevereiro, todas as movimentações aéreas de aeronaves militares norte‑americanas foram autorizadas ao abrigo do regime geral, previsto no decreto‑lei 2/2017, que estabelece autorizações anuais permanentes para mais de 50 países, entre eles os Estados Unidos.

Nestes casos, explicou, os pedidos são comunicados e tornam‑se tacitamente válidos se Portugal não se opuser no prazo de 24 horas.

Com a confirmação de que os Estados Unidos tinham conduzido um ataque, o enquadramento mudou: “A partir de sábado, entrámos no regime integral do acordo bilateral.” Após receber o pedido de autorização dos norte-americanos, o Governo informou tanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como o Presidente eleito, António José Seguro, assegurou Rangel.

Também os três maiores partidos da oposição foram informados. “Feita esta consulta, tomámos a decisão já no sábado, já estava o ataque feito”, disse.

Autorização com três condições

Segundo fez saber, a autorização dada para eventual uso das Lajes na intervenção em curso, está sujeita a três requisitos essenciais, nomeadamente; em resposta a um ataque, num quadro de defesa ou retaliação; a ação tem de ser necessária e proporcional; só pode visar alvos de natureza militar.

“Os Estados Unidos, naturalmente, comprometem-se a cumprir essas condições”, disse o chefe da diplomacia portuguesa, insistindo que esta autorização é válida para o futuro, não para operações já realizadas. E assegurou que Portugal tem a “certeza absoluta” de que nenhum ataque foi conduzido a partir da base.

Ainda durante a entrevista a CNN Portugal, o ministro esclareceu que o acordo não gera confusão nenhuma, sendo por isso não sendo necessário qualquer revisão.

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