O desaparecimento de Emre Çınar, representante legal da Willow International School, ocorrido na tarde da passada terça-feira, está a gerar uma onda de choque e forte preocupação junto da família, da comunidade educativa e da diáspora turca em Moçambique.
O caso, inicialmente reportado como uma detenção policial, está agora a ser associado a uma possível operação coordenada entre forças de segurança e interesses políticos externos.
De acordo com a 4VES, Çınar foi abordado por volta das 15:00 por indivíduos não identificados que se apresentaram como agentes da polícia, embora não tenham exibido identificação oficial nem apresentado qualquer mandado judicial. Ao detido foi impedido o contacto com um advogado no momento da abordagem.
Apesar de a família ter sido inicialmente informada de que o empresário seria conduzido à Procuradoria da República, na Baixa de Maputo, diligências posteriores em várias esquadras não encontraram qualquer registo oficial da sua detenção. Até ao momento, nenhuma autoridade moçambicana assumiu formalmente a custódia de Çınar ou prestou esclarecimentos sobre o seu paradeiro.
Contexto político: a “Mão” do Governo Turco
O jornal Canal de Moçambique avança com uma tese mais gravosa, afirmando tratar-se de um rapto com contornos de perseguição política. Segundo esta publicação:
* Existe a suspeita de que a operação tenha tido a colaboração direta da Polícia e do Governo turco.
* O incidente é comparado à atuação de “esquadrões da morte” estrangeiros que operam em Moçambique com alegada cobertura governamental.
* O jornal recorda que, em 2017, o Presidente da Turquia solicitou formalmente a “cabeça” de Emre Çınar e de outros empresários, bem como o encerramento da Willow International School.
* Mais recentemente, em novembro deste ano, o secretário das Indústrias de Defesa da Turquia, Haluk Görgün, terá reiterado este pedido em Maputo, oferecendo em troca apoio no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
Fontes próximas, citadas pela 4VES, sublinham que Emre Çınar reside legalmente em Moçambique há dez anos e não possui qualquer acusação criminal. O receio imediato é que o empresário seja alvo de uma transferência extrajudicial para a Turquia, onde enfrentaria riscos reais de tortura e perseguição política, à semelhança de precedentes registados no Quénia e noutros países africanos.
A situação é descrita como uma violação flagrante dos direitos fundamentais consagrados na legislação moçambicana e em convenções internacionais, nomeadamente o direito à liberdade, segurança pessoal e ao devido processo legal.
Face à gravidade dos factos, diversas vozes da sociedade civil, juristas e organizações de direitos humanos têm que exigir que as instituições do Estado moçambicano localizem urgentemente Emre Çınar e garantam a sua integridade física e assistência jurídica. O caso reacende o debate sobre o respeito pelo Estado de Direito e a influência de pressões externas sobre a segurança de cidadãos estrangeiros legalmente estabelecidos no país.
Imagem: DR

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