A Organização Não Governamental (ONG) Human Rights Watch disse, hoje, que os países pobres receberam apenas 0,6% do total de vacinas produzidas no mundo. E, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que há seis vezes mais doses de reforço (terceira dose) a serem administradas todos os dias, do que as primeiras doses nos países pobres.
A “maioria das doações” de vacinas para África “têm sido ‘ad hoc’, fornecidas com pouca antecedência e com uma vida útil curta”, segundo a OMS.
Um comunicado da Human Rigths diz que “o acesso às vacinas é extremamente desigual em todo o mundo e a escassez de suprimentos ameaça a saúde, vidas e meios de subsistência à medida que novas variantes surgem”.
Segundo a Airfinity – uma empresa de análises e informações científicas, a maioria das doses de vacinas produzidas pela Pfizer, Moderna e Janssen, até 29 de Novembro, teve como destino países desenvolvidos, o que clarifica um excesso extremamente desigual.
A empresa revelou ainda que da promessa dos países desenvolvidos em doar 1,8 mil milhões de vacinas, apenas 14% foi entregue. E, por outro lado, alertou que as previsões de produção suficiente de vacinas para todo o mundo são enganadoras, estando “aquém das projecções”.
“Em Setembro, a Covax, a iniciativa global de aquisição de vacinas, anunciou uma redução de 25% na sua angariação de vacinas previsto para 2021”, frisou a Human Rights Watch.
As previsões não têm em consideração as doses de reforço necessárias, a vacinação de crianças ou a vacinação contra as novas variantes, bem como aquelas que são perdidas em desperdícios.
Mais de 100 empresas da África, Ásia e América Latina têm potencial para produzir vacinas mRNA contra a covid-19, revelou a Human Rights Watch, que instou os países desenvolvidos a partilharem o seu conhecimento e tecnologia.
