A recolha de assinaturas que os membros da junta militar têm feito pode estar relacionada com uma possível preparação de criação de um partido político, alerta o presidente da Renamo, Ossufo Momade.
O alerta foi feito durante uma visita à delegação Política Distrital de Manhiça, província de Maputo, realizada este sábado (21) pelo Ossufo Momade.
Segundo Ossufo Momade, a recolha de assinaturas por pessoas mal intencionadas no seio do partido Renamo já aconteceu no passado. “Há necessidade de alertar aos membros para não aderirem e denunciarem os indivíduos que têm recolhido assinaturas”, disse o líder da perdiz, após escalar o troço 3 de Fevereiro – Xinavane que tem vindo a condicionar a ligação rodoviária entre o sul, centro e norte do País.
“Não podemos parar de trabalhar só porque alguém está a criticar ou a falar mal de nós. Esta onda de contestações não é nova, já existe há bastante tempo. Até o Presidente Dhlakama teve de lidar com essa confusão. O PDD e o MDM foram criados a partir de conflitos internos. São aqueles que não concordam, que não respeitam os nossos estatutos, mas, como se sabe, não há casa sem regras”, recordou.
Recorde-se que os ex-guerrilheiros da Renamo anunciaram, na semana passada, o arranque da campanha nacional de recolha de assinaturas para pressionar a renúncia do líder do partido, Ossufo Momade e do Conselho Jurisdicional Nacional.
Segundo o porta-voz da Renamo, Abdul Machava, que falava em conferência de imprensa, a iniciativa visa forçar a convocação de um Congresso Extraordinário para eleger novos órgãos dirigentes. Os desmobilizados de guerra da Renamo acusam a actual liderança do partido de paralisar e fragilizar aquela formação política.
“O objectivo é revitalizar as estruturas do partido. A partir de hoje, as comissões de gestão de base iniciam a recolha de assinaturas de apoio à persuasão para a resignação da liderança da Renamo, com vista à realização do Congresso Extraordinário do Partido, visando a eleição de novos órgãos, com destaque para o presidente do partido e o Conselho Jurisdicional Nacional”, disse Machava.
De acordo com o porta-voz, a campanha não representa uma disputa pelo poder, mas sim uma tentativa de reanimar o partido. “A recolha de assinaturas será feita na base, nos bairros, nas localidades, nos estabelecidos, até às capitais de províncias. Não há disputa de poder, mas sim um incentivo de querer revitalizar as bases do partido. O partido está parado, não está funcionar”, explicou.
(Foto DR)

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