“Operações do Ruanda em Moçambique e RCA revelam estratégia de assegurar interesses” – ISS

As operações militares do Ruanda em Moçambique e na República Centro-Africana “parecem reflectir” uma “estratégia de política externa destinada a assegurar os interesses” do país “a longo prazo”, considera o Intitute for Security Studies (ISS) numa nota divulgada esta segunda-feira.

“Para diversificar a economia e aumentar a sua autossuficiência, o Ruanda está a mobilizar os seus principais activos – profissionalismo militar, estabilidade política e a “marca Ruanda” – para beneficiar a sua política externa”, sublinha Paul-Simon Handy, conselheiro principal regional do ISS, que assina a nota de análise.

“Tanto a República Centro-Africana (RCA) como os destacamentos de Moçambique devem ser vistos como uma diplomacia militar de apoio às ambições económicas que alimentam o ‘soft power’ do país”, afirma o analista.

Estes dois destacamentos militares mostram, segundo o ISS, que o Ruanda tem capacidade para operar em países com os quais não partilha fronteiras – no caso de Moçambique, Handy considera o apoio militar como “uma obra-prima de rapidez e eficácia” — e que Kigali “tem a capacidade diplomática de intermediar acordos transacionais com países africanos”.

Para o ISS, a explicação do envolvimento do Ruanda em Moçambique tem outro fundamento. É que Moçambique faz fronteira com a Tanzânia, e o Ruanda recebe muitas das suas importações do porto de Dar es Salam.

“Uma desestabilização da Tanzânia poderia ter impacto na economia do Ruanda. A integração económica regional e continental é um princípio fundamental da política externa de Kigali e uma das opções estratégicas adoptadas para mitigar as desvantagens geográficas do país”, sustenta Paul-Simon Handy.

Agência Lusa

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