Novos ataques ocorridos desde quarta-feira em Cabo Delgado, norte de Moçambique, colocaram em fuga 2000 residentes em comunidades do distrito de Muidumbe, anunciou a Organização Internacional das Migrações (OIM).
“Medo e ataques confirmados de grupos armados não estatais no distrito de Muidumbe (Muambula) desde 16 de Novembro desencadearam 2 024 movimentos para o distrito de Mueda”, lê-se em comunicado distribuído hoje e citado pela Lusa.
O documento resume dados de apenas dois dias, segundo os quais 43% dos deslocados são crianças e 848 pessoas têm vulnerabilidades.
A maioria (76%) fugiu pela primeira vez, mas um quarto dos deslocados já escapou à violência armada por três vezes.
Ainda em Cabo Delgado, no distrito de Meluco, os residentes da comunidade de Minhanha relataram o rapto de quatro pessoas, das quais duas mulheres grávidas, uma criança de 05 anos e um homem.
O sequestro ocorreu na tarde de sexta-feira, em campos agrícolas e os raptores estavam encapuzados com lenços pretos, segundo relataram à Lusa testemunhas que fugiram para Mueda.
Um dos residentes disse ter ouvido os raptores a falar em kimwani, língua local, dizendo que “vão continuar a controlar Minhanha, porque nas ‘machambas’ [campos agrícolas] há muita comida”.
A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por violência armada, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

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