“O dinheiro existe” em África para acabar com a crise alimentar

“O dinheiro existe” em África para acabar com a crise alimentar

Josefa Sacko, comissária da União Africana para a Agricultura, Economia Rural, Economia Azul e Ambiente, espera que o comunicado final da 36ª Cimeira da União Africana, que decorre até domingo juntando os 55 chefes de Estado e Governo do continente africano, mobilize mais recursos para acabar com a fome.

Com o início da 36ª Cimeira da União Africana hoje, sábado, um dos focos de preocupação para os chefes de Estado e Governo reunidos em Addis Abeba, na Etiópia, prende-se com a crise alimentar, agravada por quase três anos de pandemia de covid-19 e a guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

Josefa Sacko, comissária da União Africana para a Agricultura, Economia Rural, Economia Azul e Ambiente, ficou satisfeita pela União Africana ter decidido estender o ano dedicado à nutrição, que decorreu em 2022, até 2025, mas quer que desta cimeira saiam compromissos concretos.

“Gostaria de ver afirmações muito concretas sobre isso. A crise alimentar está na agenda e agora os Estados estão a ver que tem de se fazer alguma coisa. O nosso relatório foi bem recebido e reforçado pelos países-membros e acredito que o comunicado final desta cimeira vai servir para mobilizar mais recursos. O problema conhecemos e a solução temos, não podemos estar sempre a estender a mão, o dinheiro existe nalgum lado e temos de investir se queremos ser credíveis e assegurar um futuro melhor”, declarou a comissária em entrevista à RFI.

Em África, existem actualmente 282 milhões de pessoas subnutridas, muitas delas crianças, o que Josefa Sacko qualifica como “um facto de urgência”, especialmente quando o continente tem capacidade de produzir muito mais alimentos do que faz neste momento.

“60% da terra arável não cultivada está em África, temos muita juventude e temos os recursos hídricos. É inadmissível que tenhamos 38 países importadores de produtos alimentares”, disse Josefa Sacko.

A questão da segurança alimentar entrou definitivamente nas agendas mundiais, mas especialmente em África, onde as consequências da pandemia e da guerra se têm sentido de forma acentuada.

“Tivemos o choque da pandemia da covid, os nossos países importam o arroz e durante a pandemia tudo foi cancelado na exportação, não tínhamos esses produtos para dar de comer à nossa população. Consumimos muito arroz e isto foi uma lição. A segunda lição é a guerra da Ucrânia e a Rússia, até é inadmissível que um continente com 1,4 mil milhões de habitantes importe de um país com 43 milhões de habitantes”, indicou.

Para responder a isto, para além dos fundos, é preciso mais investigação já que muitos países africanos são também assolados pelas alterações climáticas. Algo que, segundo a comissária, pode ser contornado com mais pesquisa e adaptação das culturas agrícolas.

“É preciso investigação e temos de investir. A decisão é também dos chefes de Estado e é por isso que eu peço 1% para a área da pesquisa”, concluiu.

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