A gigante do sector imobiliário Pam Golding Properties e o prestigiado escritório sul‑africano Jouberts Attorneys enfrentam escrutínio em África do Sul na sequência de alegações de que terão gerido e recebido o equivalente a 110,9 milhões de rands ligados a pagamentos de subornos feitos a Ndambi Guebuza, filho do antigo presidente de Moçambique Armando Guebuza, no contexto do escândalo financeiro das chamadas Dívidas Ocultas.
De acordo com um relatório jornalístico publicado recentemente pelo Daily Maverick, as duas entidades imobiliárias e jurídicas terão aceite fundos de origem duvidosa para facilitar a aquisição de propriedades de luxo e outros bens por Ndambi Guebuza, num esquema que supostamente teria servido para contornar os mecanismos de fiscalização financeira e leis de combate ao branqueamento de capitais.
Fontes sul‑africanas citadas na investigação indicam que Pam Golding Properties, uma das maiores agências do país, e Jouberts Attorneys terão estado envolvidas em transacções que levantaram suspeitas junto das autoridades reguladoras de Joanesburgo, incluindo o Financial Intelligence Centre (FIC) e o organismo que supervisiona os agentes imobiliários. As transacções em causa, no valor de mais de R110 milhões, estão a ser escrutinadas no âmbito de potenciais violações das normas que regem a identificação de origens de fundos e a declaração de operações suspeitas.
A polémica surge no seguimento de anos de atenção mediática e judicial ao papel de elites políticas e seus associados na utilização de mercados imobiliários sul‑africanos para investimentos de elevado valor, frequentemente com alegações de que fundos de origem ilícita teriam sido usados para adquirir bens de luxo no país.
Até ao momento, nem a Pam Golding Properties nem a Jouberts Attorneys foram formalmente condenadas em tribunal na África do Sul por crimes relacionados com estas alegações. Ambas as empresas têm negado qualquer conduta ilícita e afirmado que cooperarão com as investigações, sublinhando a intenção de cumprir as normas legais e regulatórias aplicáveis.
Perante o crescente interesse público e mediático, o caso promete prolongar‑se nos tribunais e nos organismos reguladores sul‑africanos, enquanto especialistas em combate ao branqueamento de capitais acompanham de perto os desdobramentos deste complexo capítulo das relações económico‑financeiras entre Moçambique e o seu país vizinho.
Imagem: DR

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