O Centro de Integridade Pública (CIP), uma organização não-governamental (ONG) moçambicana de combate à corrupção, acredita que a descentralização do poder, nos últimos quatro anos, ajudou a reduzir as tensões pós-eleitorais.
Segundo o investigador do CIP, Ivan Maússe, que falou na quarta-feira (23), em Maputo, durante a apresentação do Relatório Preliminar sobre a Experiência do Primeiro Ciclo de Governação Descentralizada Provincial (2020-2024) nas províncias de Nampula, Sofala e Zambézia, o modelo, do ponto de vista político, reduziu as tensões relacionadas com a partilha do poder.
“Do ponto de vista político, foi possível aliviar a tensão na partilha do poder que existia em Moçambique há muito tempo. Este modelo foi concebido, em primeiro lugar, para evitar que Moçambique continuasse a viver a tensão política que temos vivido desde 2012, entre o partido governante Frelimo e o antigo movimento rebelde Renamo”, afirmou Maússe, citado numa publicação da AIM.
No entanto, a organização acredita que, do ponto de vista da melhoria da qualidade de vida da população, o impacto da descentralização ainda não é visível.
“Agora, foi concebido um modelo que, do ponto de vista dos resultados para a população, ainda não é capaz de refletir resultados tão elevados. Precisamos, a longo prazo, de um modelo consistente que possa realmente responder aos desejos da população”, afirmou.
Segundo Maússe, a eficácia da governação descentralizada depende também da disponibilização de recursos adequados para as funções descentralizadas, tais como fontes fiscais específicas (impostos e taxas), transferências fiscais justas e autonomia na gestão dos recursos.
“Todas as pessoas entrevistadas nesta investigação reconhecem que a descentralização é o mecanismo adequado para resolver os problemas de desenvolvimento num país grande e multicultural como Moçambique”, afirmou.
Os dados do relatório apontam que, entre 2021 e 2024, o governo descentralizou 37% dos seus recursos orçamentais, mantendo o controlo central sobre 63%. Dos fundos descentralizados, 38% foram atribuídos às províncias, 57% aos distritos e apenas 5% aos municípios.
(Foto DR)


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