Moçambique pela primeira vez na lista dos países com crise negligenciada de deslocados

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Moçambique pela primeira vez na lista dos países com crise negligenciada de deslocados

Moçambique pela primeira vez na lista dos países com crise negligenciada de deslocados

Moçambique integra, pela primeira vez, a lista dos dez países com as mais negligenciadas crises de pessoas em situação de deslocados, de acordo com um relatório da Norwegian Refugee Council/Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC, na sigla em inglês).

O documento consultado pelo MZNews refere que Moçambique inaugura a lista no pódio, ocupando a terceira posição, atrás da Etiópia na segunda e do Camarões na primeira posição.

A lista anual das crises de deslocação negligenciadas baseia-se em três critérios: falta de financiamento humanitário, falta de atenção dos meios de comunicação social e falta de um compromisso político genuíno para pôr fim ao conflito e melhorar as condições das pessoas deslocadas.

“Os decisores políticos têm de reconhecer que a deslocação não é uma crise distante; é uma responsabilidade partilhada que não pode ser ignorada” refere o documento.

E estas carências negligenciadas continuam a afectar o Burkina Faso, que liderou a lista nos dois anos anteriores, e agora ocupa o quarto lugar, seguindo-se o Mali, o Uganda e o Irão. A República Democrática do Congo ocupa o oitavo lugar, após ter estado entre os três primeiros desde o início do relatório. A lista é finalizada pelas Honduras e Somália.

“Estas mudanças não reflectem melhorias significativas, mas antes realçam uma dura realidade: quase todas as crises humanitárias prolongadas estão agora a ser negligenciadas” nota o documento.

Outra constatação aponta para o facto de os países doadores – a comunidade internacional – estarem a redireccionar, progressivamente, o seu apoio para acomodar as políticas internas.

“Em toda a Europa, nos Estados Unidos e noutros locais, temos visto os doadores virarem as costas às pessoas na hora da necessidade. Esta situação está a aprofundar a negligência em relação às pessoas afectadas por crises e deslocações, numa altura em que um número sem precedentes de pessoas foi forçado a abandonar as suas casas” disse Jan Egeland, o Secretário-Geral do NRC, notando que esse “abandono não é definitivo”. “Temos de nos erguer e exigir uma inversão dos cortes brutais na ajuda que estão a custar mais vidas a cada dia que passa” instou.

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