O MISA Moçambique denunciou hoje a postura do partido Frelimo perante órgãos de comunicação que foram impedidos de cobrir um evento para o qual o partido solicitou a sua presença.
No comunicado que chegou à nossa Redacção, o MISA Moçambique avança que, no dia 13 de Julho, a Frelimo condicionou a entrada de operadores de câmera na sede do partido na cidade de Maputo, quando pretendia se pronunciar sobre a eleição de cabeças de lista das 65 autarquias do país.
Com efeito, apenas os colegas de escrita tiveram acesso à sala onde a porta-voz do partido, Ludimila Maguni ia fazer as declarações. O único operador de câmera que teve acesso à sala estava ao serviço do partido. No final do encontro, a gravação da imagens foi distribuída num flash/pen drive aos profissionais de comunicação social.
O MISA Moçambique repudia esta atitude do maior partido político do país, e recorda que é direito do jornalista “o livre acesso e permanência em lugares onde se torne necessário o exercício da profissão” ainda que não sejam públicos, segundo a Lei 18/91 de 10 de Agosto, da Lei de Imprensa.
O MISA Moçambique elucida a Frelimo e demais partidos políticos que reportagens institucionais são diferentes de reportagens de outra natureza, como as jornalísticas. Por isso “o trabalho dos repórteres de imagem é, pois, uma das componentes imprescindíveis da reportagem em televisão”.
Em tudo isto, entende que a Frelimo violou a Liberdade de Imprensa, e recomenda que, quando necessário, o partido produza seus próprios conteúdos e divulgue em seus próprios canais. Querendo fazê-lo nos órgãos de informação profissionais deve pagar pela matéria e informar que se trata de material de propaganda.
“Enquanto organização de defesa das liberdades de imprensa e de expressão e do direito à informação, o MISA Moçambique considera inaceitável esta interferência do partido Frelimo no trabalho jornalístico. Por isso, o MISA desencoraja este e qualquer acto que condicione o trabalho dos profissionais de comunicação social e que coloque em causa a liberdade de imprensa, particularmente o livre acesso e permanência, pelos jornalistas, a lugares onde se torne necessário o exercício da sua profissão, que deve ser reconhecida e protegida como um pilar fundamental da democracia”, lê-se no documento partilhado hoje.



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