Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, realizou esta quinta-feira, 23 de Janeiro, uma visita de trabalho aos principais pontos afectados pelas cheias na província de Maputo, com o objectivo de avaliar no terreno o impacto das inundações nas infra-estruturas rodoviárias.
Entre os locais visitados destacam-se a estrada Marracuene–Macaneta, no distrito de Marracuene, bem como vários pontos críticos ao longo da Estrada Nacional Número Um (EN1), nomeadamente Mahocha Homo, Chulavecane e Incoluane, onde a transitabilidade se encontra severamente condicionada.
À margem da visita, o governante explicou que a deslocação serviu para acompanhar os trabalhos em curso no âmbito da resposta às cheias e inundações que marcam o ano de 2026. Segundo Matlombe, a principal consequência imediata do fenómeno é a degradação das infra-estruturas públicas, com particular incidência nas estradas.
O ministro reconheceu que a N1, considerada uma via estratégica para a economia e mobilidade nacional, sofreu danos significativos, comprometendo seriamente a circulação. De acordo com as avaliações preliminares, não existem condições para a reposição da transitabilidade nos próximos 15 dias.
Antes de qualquer intervenção de maior envergadura, explicou, é necessário que o nível das águas baixe, permitindo uma avaliação técnica rigorosa sobre o tipo de obras a realizar. Entretanto, João Matlombe manifestou preocupação com a crescente concentração de transportadores e passageiros tanto na margem sul como na margem norte da EN1, sobretudo do lado da província de Gaza.
O governante apelou aos transportadores provenientes da província de Maputo para que recuem, alertando para as dificuldades associadas à permanência prolongada na via pública, sem condições básicas de saneamento, alojamento e segurança. Reforçou ainda que não é aconselhável permanecer nos pontos de interdição, uma vez que existem pelo menos seis cortes ao longo da EN1, sendo esta a zona mais crítica e profunda.
Enquanto se aguarda pela redução do nível das águas, o Governo está a trabalhar na Estrada Alternativa de Moamba, com vista a repor, assim que possível, uma via imediata de ligação à EN1, de modo a garantir a conectividade entre as regiões sul e centro-norte do país.
Durante a visita, Matlombe apelou igualmente aos cidadãos que pretendem deslocar-se para Maputo ou em sentido contrário para que suspendam as viagens rodoviárias, sublinhando que não existem, neste momento, condições de segurança. Segundo disse, continua a registar-se a deslocação de transportadores provenientes das províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia até Gaza, situação que considera desnecessária e geradora de pressão logística adicional.
O ministro explicou que a província de Gaza já enfrenta desafios significativos na assistência às famílias afectadas pelas cheias, pelo que a concentração de passageiros e viaturas agrava a gestão logística e operacional.
Do ponto de vista logístico, garantiu que o Governo está a assegurar o abastecimento da província de Gaza através da cabotagem marítima, com início a partir do Porto de Maputo. Paralelamente, decorrem contactos com a província de Inhambane para reforçar o fornecimento alimentar, prevenindo rupturas de stock e práticas especulativas nos preços.
No sector aéreo, foram reforçados os voos para Gaza, tendo sido realizados, só na véspera, cinco voos de ida e cinco de regresso, o que permitiu o transporte de mais de 1.800 passageiros entre Gaza e Maputo. Está igualmente previsto o aumento de voos para Inhambane e Vilanculos, sobretudo para responder à procura de passageiros que regressam do período de férias.
Outra alternativa em avaliação é o recurso ao transporte ferroviário. Segundo o ministro, uma inspecção recente confirmou a existência de condições para o transporte de pessoas e mercadorias até Magude, solução que poderá aliviar a pressão sobre o sistema rodoviário nos próximos dias.
Imagem: MTL

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