Jovens de Cabo Delgado beneficiam-se do projecto +Emprego

Cerca de 1 200 jovens de Cabo Delgado, muitos dos quais deslocados da guerra que assola o norte do país, vão beneficiar do projecto +Emprego, referiu esta terça-feira Francisco André, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português.

A iniciativa “tem como objectivo a melhoria do acesso ao trabalho digno e ao rendimento para cerca de 1 200 jovens de Cabo Delgado”, disse André, após a assinatura de protocolos de parceria entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, entidade promotora, e entidades públicas e privadas moçambicanas.

“Este ano, este projecto deve abranger já 200 jovens instalados em Pemba, na maioria deslocados” e em 2022 o objectivo é “assegurar a criação de autoemprego e promover a assistência técnica” para que a empregabilidade se concretize – beneficiando também as pequenas e médias empresas, notou.

Os protocolos ontem assinados concretizam as parcerias público-privadas entre entidades (empresas, academias e formação profissional) que estão na mesma “sintonia” para que o projecto resulte, sublinhou.

A iniciativa orçada em 4,2 milhões de euros é financiada pela União Europeia (UE) e foi preparada para formar jovens para o sector do gás, tendo em vista os projectos de exploração da bacia do Rovuma previstos para a região.

O único projecto que estava em andamento foi, entretanto, suspenso, há dois meses, por causa da insegurança na zona, mas isso não invalida a matriz do projecto, disse à Lusa Osvaldo Petersburgo, vice-ministro do Trabalho.

“O tipo de qualificações que os jovens vão ter habilita-os a trabalhar em qualquer parte do mundo”, uma vez que vão obter um “certificado internacional”, explicou.

“Mas eu estou convicto de que vão trabalhar em Cabo Delgado, em Palma, porque acreditamos que vai [ser possível] retomar todo o processo” de investimento liderado pela petrolífera Total, afirmou.

António Gaspar, embaixador da UE em Moçambique, descreveu o projecto como “uma mensagem de esperança dirigida sobretudo aos jovens”, prevendo um efeito multiplicador do projecto – que vai incluir também formação de formadores.

O desemprego e a falta de oportunidades – nomeadamente nos investimentos emergentes ligados ao gás – têm sido apontados por diversos observadores como algumas das causas de recrutamento de jovens de Cabo Delgado para os grupos rebeldes que há três anos atacam a região.

Um quarto do envelope financeiro do projecto fica atribuído após a assinatura de cinco protocolos hoje realizada, referiu Francisco André, considerando que o projecto avança a “boa velocidade”, após o lançamento, há cerca de seis meses.

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