Jornalista da TV Sucesso “na mira do cano”, após abalar instituição do Estado

Jornalista da TV Sucesso “na mira do cano”, após abalar instituição do Estado

Ameaças contra a integridade física continuam a assombrar a comunicação social em Moçambique, e desta vez entrou na mira do cano uma jornalista da TV Sucesso. Trata-se de Cauage Simbe, que expôs a situação na sua página do Facebook, no sábado.

Conforme avançou na publicação, tal está relacionada a publicação de matérias que espelham problemas nas instituições do Estado.

“Me ameaçar de morte por relatar cancro maligno do qual padece a função pública não resolve o problema…” escreveu Simbe, num texto onde apelou à resolução dos problemas nas instituições e não ao silenciamento de críticos.

A denúncia ocorre num período em que tem exibido uma séria de matérias sobre diversas situações no Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO). Entre as situações já expostas nota-se a longa espera pela emissão de cartas de condução definitivas e a falta e canalização de valores para os cofres do Estado. Inclusive, desde Janeiro deste ano, tem publicado, na sua página, imagens que revelam outros problemas como a má qualidade das cartas de condução provisórias/temporárias – folha de resma recortada em tamanho aproximado a uma A6. Não menos importante é uma publicação onde questiona os interesses obscuros dos negócios de impressão de documentos que impossibilitam a unificação de dados da carta de condução e do bilhete de identidade em um único “cartão”. Também tem publicações que levantam questões sobre qualidade das obras das estradas, afectando directamente o Ministério dos Transportes e Logística, ao qual está subordinado o INATRO.

Entretanto, destemida, adiantou que vai continuar a fazer o seu trabalho sem receios, e que, na eventualidade de ser silenciada, o exercício da profissão será continuado.

“Podem me intimidar hoje, amanhã sempre virá alguém com mais força para dar continuidade… Luto por um país melhor, por mim, pelos meus filhos e para as próximas gerações… Os relatos de corrupção na função pública, não começaram comigo, nem vão terminar comigo. Existem mais jornalistas com a mesma garra e ávidos em devolver o exercício da democracia e liberdade de expressão” lê-se.

Recorde-se que, na noite de 04 de Fevereiro passado, o jornalista do grupo Soico, Carlitos Cadangue, escapou a uma tentativa de assassinato, na cidade de Chimoio, província de Manica.

A vítima seguia numa viatura acompanhado o seu filho mais velho quando foram surpreendidos por homens armados e vestidos com fardamento “pingos de chuva” que dispararam contra o veículo. Eles não foram atingidos.

Cadangue tem publicado matérias sobre a exploração mineira desenfreada na província, tal que levou o Governo central a suspender a actividade em toda a província. Pessoas “bem posicionadas” viram seus interesses afectados. O jornalista foi avisado sobre planos de ser abatido.

Várias notas de repúdio foram emitidas, e a Polícia da República de Moçambique prometeu resolver o caso.

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