A agência de notação financeira Fitch Ratings, detida pelos mesmos donos da consultora Fitch Solutions, considerou hoje, ser necessárias mais melhorias e confiança na gestão das finanças públicas de Moçambique antes de a opinião sobre a qualidade do crédito soberano poder melhorar.
Numa conferência virtual sobre a evolução das economias africanas, o director da Fitch Ratings para África e o Médio Oriente, revelou que “os desenvolvimentos no sector dos hidrocarbonetos e as reformas com a chancela do Fundo Monetário Internacional (FMI) são importantes, e houve mais financiamento externo, mas o ímpeto é menos positivo que em Angola, porque [os frutos] são mais para o futuro”.
Citado pela Lusa, Toby Iles apontou que a “volatilidade no mercado de dívida doméstica é uma questão de gestão, mais do que liquidez”. “Queremos ter mais confiança nisso antes de mexermos no ‘rating’ de Moçambique”, vincou.
Recorde-se que a consultora manteve, em Fevereiro, a notação de ‘CCC+’ para a dívida soberana emitida por Moçambique, salientando que a manutenção da opinião abaixo do nível de investimento, e apenas um degrau acima do incumprimento financeiro, “reflecte os elevados níveis de dívida do Governo, os amplos défices orçamentais, problemas ainda por resolver na dívida das empresas públicas, baixo PIB ‘per capita’, fracos indicadores de governação e uma desafiante situação de segurança”.
Os analistas salientaram que apesar de 2023 não ser um ano muito pesado em termos de maturidade da dívida soberana, os dois próximos anos serão difíceis para uma boa parte dos países, que enfrentam o final do prazo dos empréstimos, e terão, portanto, que pagar a totalidade do que pediram emprestado ou emitiram nos mercados financeiros internacionais.

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