A federação internacional de futebol decidiu garantir todos os direitos financeiros ao árbitro somali, que foi impedido de entrar nos Estados Unidos devido a entraves migratórios.
A FIFA tomou a decisão de pagar a totalidade do salário previsto para o Mundial ao árbitro internacional Omar Artan, eleito o melhor juiz do continente africano em 2025. O profissional somali, que estava escalado para apitar no maior palco do futebol mundial, foi deportado pelas autoridades norte-americanas logo após desembarcar no Aeroporto Internacional de Miami.
Mesmo sem a oportunidade de pisar os relvados do torneio e liderar qualquer partida, a liderança máxima do futebol mundial optou por salvaguardar a componente financeira do contrato de Artan. A medida visa garantir que o conceituado árbitro não sofra prejuízos materiais decorrentes de uma situação puramente burocrática e política.
Omar Artan chegou aos Estados Unidos munido de passaporte diplomático e do visto de entrada devidamente regularizado para a competição. Contudo, acabou retido pela segurança interna do aeroporto (CBP), onde enfrentou um longo e exaustivo interrogatório de cerca de 11 horas.
As autoridades migratórias justificaram a recusa de entrada com base em alegadas preocupações de segurança nacional e supostas ligações a grupos insurgentes que operam na Somália (como o Al-Shabaab). Artan rejeitou veementemente as acusações, classificando-as como infundadas, e defendeu que toda a sua trajectória é pautada estritamente pelo desporto profissional.
Os valores que a FIFA vai desembolsar para o árbitro somali devem rondar entre os 75.000 e os 100.000 dólares (cerca de 4.7 a 6.3 milhões de meticais), montante base fixado para os juízes principais convocados para o campeonato.
Se por um lado o Governo dos Estados Unidos fechou as portas ao profissional, o mundo do futebol uniu-se em torno de uma forte corrente de solidariedade. Numa decisão conjunta entre a CAF e a UEFA, Omar Artan foi formalmente nomeado para dirigir a Final da Supercopa da Europa, agendada para o próximo mês de Agosto, que vai colocar frente a frente as equipas do Paris Saint-Germain e do Aston Villa.
Ao regressar a Mogadíscio, a capital da Somália, o árbitro foi recebido com honras de Estado no aeroporto por vários ministros, deputados e uma enorme moldura humana de adeptos, transformando-se num autêntico símbolo de resiliência para o desporto africano.
Imagem: DR


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