O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) critica o facto de o Presidente da República, Daniel Chapo, ainda não ter avançado para a materialização de um diálogo político visando o restabelecimento da paz em Moçambique.
Chapo já completou os primeiros 30 de governação, e para a Organização da Sociedade Civil, a ausência de diálogo pode alastrar a crise que se vive no país.
“O diálogo, que sempre foi uma marca na resolução de conflitos em Moçambique, ainda não está a acontecer, facto que pode contribuir para o alastramento da crise” escreve o CDD.
O elenco de Chapo deve, segundo o CDD, incluir o ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, – enquanto líder dos protestos que levaram à crise –, a sociedade civil, a academia e os líderes religiosos.
Numa publicação recordou que, no ano passado, a tentativa de diálogo entre o então Presidente da República, Filipe Nyusi, e os principais líderes da oposição fracassou justamente pela ausência de Mondlane.
O formato adoptado inclui o líder da Nova Democracia, e exclui Mondlane, “mas não tem surtido o efeito desejado”.
O CDD critica o facto de o actual Presidente da República, Daniel Chapo, ter prosseguido com esforços de diálogo no formado deixado por Nyusi, sem incluir Venâncio Mondlane – no país desde 9 de Janeiro antes da tomada de posse de Chapo, a 15 de Janeiro – e organizações da sociedade civil e líderes religiosos.
“Enquanto isso, os protestos continuam, apesar de ser numa dimensão menor em relação aos protestos vividos até 15 de Janeiro. A continuação dos protestos pode ser sinal de que o modelo de diálogo usado não responde às exigências do povo. Nesse sentido, apesar de reconhecermos as figuras que estão neste momento nas negociações, nos parece que o actual modelo e os seus intervenientes não conseguem trazer a paz” lê-se num documento publicado ontem, que apela para um diálogo inclusivo.

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